Analisada situação de paz e segurança na região do Sahel

Luanda – o ministro das Relações Exteriores, Téte António, disse, esta terça-feira, em Luanda, que a região do Sahel enfrenta actualmente uma crise multidimensional, aliada a insegurança crescente, terrorismo transfronteiriço e extremismo violento.
Ao presidir uma reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, referente ao corrente mês, de forma virtual, que analisou a situação na região do Sahel, Téte António reconheceu que o colapso institucional e as crises humanitárias combinam-se para fragilizar os próprios fundamentos da paz e do progresso.
De acordo com o presidente do Conselho de Paz e Segurança para o mês de Setembro de 2025, a situação de insegurança no Sahel não conhece fronteiras nem limites, pelo que se exige uma resposta colectiva, coerente e resoluta, em que a União Africana deve ocupar um lugar central.
Recordou que o Presidente da República em exercício da União Africana, João Lourenço, mandatou uma missão de bons ofícios aos países do Sahel para constatar “in loco” a real situação política e de segurança naquela região.
Téte António defendeu que a luta contra o terrorismo no Sahel não se pode limitar a respostas militares, enfatizando que a mesma exige uma abordagem global, que integre medidas de segurança adequadas, investimentos na educação e na juventude e um diálogo comunitário reforçado, além de cooperação regional em matéria de defesa e apoio técnico e financeiro às administrações locais.
Sublinhou ainda o reforço do diálogo político com as autoridades de transição, respeitando os princípios de solidariedade e de não indiferença, com diálogo baseado em mecanismos de consulta inclusivos, envolvendo as forças vivas das sociedades, nomeadamente mulheres, jovens e líderes comunitários.
Desde Março de 2025 que a região do Sahel Central, concretamente Mali, Burkina Faso e Níger, tem sido marcada por crescentes desafios políticos e de segurança.
Um comunicado de imprensa do Ministério das Relações Exteriores esclarece que a região do Sahel está a passar por um realinhamento político devido ao declínio democrático, que é justificado pelos imperativos da luta contra o terrorismo.
Os três países continuam a reforçar a sua cooperação em diversas áreas, no âmbito da confederação, criada para reforçar politicamente a Aliança dos Estados do Sahel (AES), que adoptou um hino e um passaporte da AES, ilustrando a determinação em reforçar a unidade e em forjar uma identidade política distinta.


