Analistas alertam para instrumentalização de movimentos cívicos emergentes em Angola

Os participantes do programa “Círculo da Kianda”, emitido este Domingo, 13, pela Rádio Correio da Kianda, alertaram para a possível instrumentalização de movimentos cívicos que surgem com maior frequência em períodos eleitorais, levantando dúvidas sobre a sua autenticidade e objectivos reais.
O comentador Paulo Santareno questionou a recorrência destes movimentos em contextos de eleições, afirmando que alguns “aparecem apenas nas noites eleitorais” e que outros “já nascem mortos”, defendendo a necessidade de maior atenção e análise sobre o seu papel no espaço público.
Santareno considerou, no entanto, que estes movimentos podem também ter impacto na sociedade, ao entrarem no debate político e contribuírem para a formação de opinião, embora defenda que as suas mensagens devem ser cuidadosamente avaliadas, por poderem reproduzir discursos de lideranças políticas.
Por sua vez, Luís Victor destacou que há casos em que iniciativas inicialmente apresentadas como cívicas acabam por evoluir para formas de pressão política sobre actores políticos, especialmente em períodos de maior tensão eleitoral.
Já o comentador Raimundo Gonçalves alertou para a possibilidade de estes movimentos serem infiltrados ou manipulados, o que, no seu entendimento, pode desvirtuar os seus objectivos fundamentais.
Gonçalves defendeu ainda que os partidos políticos, sobretudo na oposição, enfrentam dificuldades de organização e articulação com a sociedade civil, o que pode abrir espaço para a instrumentalização destes movimentos.
Os participantes convergiram na ideia de que o fenómeno exige maior vigilância, planeamento estratégico e análise crítica, de forma a evitar que movimentos cívicos sejam utilizados como instrumentos de disputa política.


