Analistas políticos e académicos consideram que a crise que afecta a FNLA resulta de problemas estratégicos, conflitos geracionais e disputas internas que se arrastam há vários anos.
O académico Francisco Nduli entende que o partido enfrenta dificuldades estratégicas profundas e aponta a ausência de um programa de acção claramente conhecido como uma das fragilidades da formação política.
Segundo o académico, a dificuldade em aceder aos documentos orientadores da FNLA revela também problemas de organização interna e de comunicação entre as estruturas do partido.
Francisco Nduli considera ainda que as crises sucessivas estão relacionadas com um choque entre gerações, com sectores mais jovens a defenderem a renovação da organização, enquanto dirigentes mais antigos resistem à saída dos lugares de liderança.
O sociólogo Memória Ekulica defende, por outro lado, que a crise da FNLA tem raízes históricas e começou muito antes dos actuais conflitos internos.
Para o sociólogo, as divisões registadas entre as décadas de 1960 e 1980 tiveram consequências profundas na relação entre o partido, os seus militantes e a sociedade angolana, deixando marcas que, na sua avaliação, a organização nunca conseguiu ultrapassar completamente.
Já o politólogo Horácio Nsimba considera que, se no passado a FNLA enfrentava sobretudo factores externos, actualmente os principais problemas são internos.
O analista aponta a falta de visão estratégica e interesses pessoais entre sectores da liderança como factores que contribuem para a permanência da crise.
Horácio Nsimba defende, por isso, a necessidade de uma mediação externa para ajudar a ultrapassar o actual impasse e aponta a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, CEAST, como uma das instituições que poderia desempenhar esse papel.
O politólogo destaca igualmente o reverendo Ntoni-a-Nzinga, pelo conhecimento que possui sobre a história da FNLA, como uma das personalidades que poderia contribuir para um processo de mediação.
As declarações dos analistas surgem num momento em que a FNLA enfrenta novas divergências internas em torno da preparação do VI Congresso Ordinário, com diferentes sectores a reivindicarem legitimidade para conduzir o processo congressual.




