Angola apela empenho da ONU na superação da exclusão digital

Luanda - O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, apelou, esta segunda-feira, ao empenho contínuo da ONU para superar a exclusão digital entre o Norte e o Sul Global, numa era de crescente transformação digital e ascensão da Inteligência Artificial. Ao intervir na quadragésima oitava sessão anual do Comité de Informação, que decorre de 27 de Abril a 08 de Maio, em Nova Iorque, Francisco José da Cruz considerou fundamental a disseminação de informações factuais, oportunas, acessíveis e multilíngues para múltiplos públicos, e que garanta "que ninguém fique para trás". Expressou preocupação com o impacto da actual crise de liquidez na capacidade do Departamento de Comunicações Globais em cumprir o seu mandato da maneira mais eficaz e eficiente, incluindo a concretização de algumas prioridades-chave, revela uma nota de imprensa da Missão Permanente de Angola junto da ONU. Apesar da situação financeira, encorajou o departamento a continuar a fornecer produtos de informação oportunos, precisos e imparciais a públicos globais e a diversas organizações de media. Incentivou os esforços do departamento para combater a desinformação, notícias falsas e discurso de ódio, educando as pessoas a identificar fontes confiáveis, por meio de iniciativas como a campanha “Verified”, que fornece orientações e informações fundamentadas em factos. Durante a sua intervenção, Francisco José da Cruz defendeu que a disseminação e promoção da mensagem da ONU, além das seis línguas oficiais, reforça a importância de informar eficazmente um público mais amplo, ao mesmo tempo em que reflectem o respeito pelo multilinguismo e pela diversidade cultural no mundo. Valorizou o trabalho do Departamento de Comunicações Globais na promoção da conscientização e compreensão sobre o trabalho das Nações Unidas para promover a paz, segurança, desenvolvimento sustentável e respeito aos direitos humanos. Reconhecendo o papel fundamental dos Centros de Informação na difusão da mensagem da ONU junto das comunidades globais, em múltiplos idiomas, reafirmou o compromisso de Angola em continuar a trabalhar com o DGC para a operacionalização do Centro de Informação de Luanda, para atender às necessidades dos países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP). CPLP advoga multilinguismo inclusivo A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) defende um multilinguismo inclusivo, digital e acessível, capaz de reduzir desigualdades no acesso à informação e de reforçar a confiança dos cidadãos na Organização das Nações Unidas. O posicionamento do grupo de países da CPLP, em Nova Iorque, foi manifestado pelo embaixador Francisco José da Cruz, durante a primeira reunião plenária do Comité de Informação, esta segunda-feira. No ano em que se assinalam os 80 anos da ONU e o trigésimo aniversário da CPLP, os Estados-membros reafirmam a importância de investir continuamente em tecnologias acessíveis, incluindo a Inteligência Artificial com supervisão humana, para promover o uso de todas as línguas e evitar a predominância desproporcional de uma única língua. No contexto da iniciativa UN80, a CPLP reitera a defesa da unidade da língua portuguesa no DGC, sublinhando a importância de proteger o multilinguismo como um dos pilares do multilateralismo. A CPLP reafirma o seu empenho em contribuir para uma ONU mais próxima das pessoas, mais diversa e genuinamente multilíngue, na qual o português continue a desempenhar um papel central na promoção do diálogo, da cultura e do entendimento mútuo. Saúda o papel essencial desempenhado pelos Centros de Informação das Nações Unidas, em particular os de Brasília e Bruxelas e que comunicam em português.


