O ministro das Relações Exteriores defendeu, terça-feira, na Reunião de alto nível do Movimento dos Países Não -Alinhados, o reforço do multilateralismo, respeito pelos princípios da soberania, independência, igualdade, coexistência pacífica e cooperação, face aos actuais desafios internacionais.
Téte António sublinhou, a propósito, que os Estados devem dispor do espaço necessário para prosseguir os seus interesses nacionais, escolher as suas parcerias e participar nos assuntos internacionais sem serem obrigados a integrar divisões que não criaram.
Ao intervir na conferência, que decorreu em Belgrado, de 31 de Agosto até ontem, por ocasião do 65.º aniversário da primeira Conferência do Movimento dos Países Não- Alinhados, reafirmou o firme compromisso de Angola com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo a soberania, a integridade territorial, a independência política, a auto-determinação e a resolução pacífica de conflitos.
O ministro Téte António, que representou o Presidente da República na Reunião de alto nível, reafirmou que os princípios que estiveram na base do Movimento dos Países Não-Alinhados continuam actuais, num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos, desigualdades e crescente fragmentação.
Nesse sentido, referiu que o não alinhamento “nunca significou indiferença nem isolamento”, mas antes a afirmação da soberania e da convicção de que o diálogo e a cooperação são preferíveis ao confronto.
“Cada nação tem uma voz, cada nação tem opções e cada nação tem o direito de definir o seu próprio futuro”, afirmou o ministro Tété António, reiterando a actualidade dos princípios que estão no cerne do Movimento dos Países Não- Alinhados.
Insegurança alimentar e ameaças cibernéticas
Nesta linha de pensamento, chamou a atenção para os desafios globais que transcendem fronteiras, como as alterações climáticas, as pandemias, a insegurança alimentar, as ameaças cibernéticas e a instabilidade financeira, salientando que nenhum país poderá enfrentá-los isoladamente.
Perante este quadro, referiu que o multilateralismo não é apenas desejável, mas necessário, defendendo, ao mesmo tempo, que este deve produzir resultados concretos para todos os países.
No domínio económico, referiu que as dificuldades continuam a afectar muitos países em desenvolvimento, nomeadamente no acesso ao financiamento e à tecnologia, defendendo uma arquitectura financeira internacional que reflicta melhor as realidades e necessidades das economias em desenvolvimento.
Sobre a transição energética, o ministro das Relações Exteriores defendeu que esta deve ser justa, equilibrada e sensível às diferentes circunstâncias nacionais, não devendo deixar os países em desenvolvimento com menos opções.
Ao abordar a Inteligência Artificial, o titular da pasta da diplomacia angolana referiu as suas enormes oportunidades para o desenvolvimento, mas alertou para a necessidade de os países em desenvolvimento participarem activamente na definição desta transformação tecnológica, evitando permanecerem apenas como consumidores de tecnologias, normas e soluções concebidas noutros lugares.
Relativamente ao “Movimento dos Países Não- Alinhados”, o ministro Téte António reiterou que a diversidade dos seus membros constitui uma força, defendendo a necessidade de encontrar pontos de convergência na defesa do direito internacional, no reforço do multilateralismo, no aprofundamento da cooperação económica, científica e tecnológica e na garantia de que as vozes dos países em desenvolvimento sejam ouvidas.
O governante considerou ainda que o Movimento dos Países -Não Alinhados pode desempenhar o papel de uma importante ponte num contexto internacional de aprofundamento das divisões, utilizando a diversidade dos seus membros para criar espaços de diálogo, compreensão e cooperação, e não para constituir um novo bloco.
Téte António salientou a necessidade de mais diálogo e menos confronto, mais cooperação e menos fragmentação, bem como instituições internacionais mais fortes e capazes de produzir resultados para todos os países.
Encontros bilaterais à margem do evento
O ministro das Relações Exteriores, Téte António, à margem da Reunião de alto nível na capital Sérvia, manteve uma intensa agenda, em separado, com entidades diplomáticas do Nepal, Azerbaijão, do Sri Lanka, Cuba e da Índia.
Neste capítulo, o chefe da diplomacia angolana reuniu-se com o primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Gerardo Peñalver Portal, com quem abordou questões de interesse comum da agenda internacional.
Durante o diálogo com o também enviado especial do Presidente cubano para a Reunião de Belgrado, as entidades trocaram impressões sobre a situação interna de Angola e Cuba.
Na sequência da agenda bilateral em Belgrado, Téte António manteve, também, um encontro com o ministro dos Assuntos Parlamentares e das Minorias da República da Índia, Kiren Rijiju, no qual analisaram os aspectos das relações entre os dois países e questões de interesse da agenda internacional.
Multilateralismo
O reforço da cooperação bilateral e questões de natureza multilateral dominaram a reunião entre o ministro Téte António e o ministro adjunto dos Negócios Estrangeiros do Nepal, Krishna Prasad Dhakal. Téte António aproveitou, igualmente, a ocasião para apresentar uma mensagem de pesar às autoridades nepalesas pelas perdas humanas e pelos desaparecidos na sequência do recente desmoronamento de terras ocorrido naquele país.
O estado das relações bilaterais e identificação de novas áreas de intercâmbio mereceram também a atenção do ministro das Relações Exteriores e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão, Yalchin Rafiyev. Em Belgrado, Téte António reuniu-se, igualmente, com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e do Emprego Externo do Sri Lanka, Arun Hemachandra.O encontro serviu para as duas entidades se debruçarem sobre questões de interesse bilateral, tendo as partes manifestado a importância de conferir maior dinamismo às relações entre Angola e o Sri Lanka, através do reforço do diálogo político-diplomático e da identificação de novos domínios de cooperação.
No quadro do multilateralismo, o chefe da diplomacia angolana apresentou a candidatura da embaixadora Josefa Sacko ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), tendo solicitado o apoio dos países à candidatura angolana, que conta com o endosso da União Africana.



