Interligar as economias, expandir o comércio intra-africano, construir infra-estruturas regionais, mobilizar recursos financeiros próprios e reforçar a capacidade produtiva são condições indispensáveis para que África possa determinar, com maior autonomia, o seu próprio futuro, defendeu, este domingo, em El Alamein, o Chefe de Estado, João Lourenço.
Ao apresentar o Relatório sobre as Contribuições da AUDA-NEPAD para o Aprofundamento da Integração Regional, na qualidade de Presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Lourenço sublinhou que “a resiliência de África dependerá, cada vez mais, da força da sua própria integração”.
Durante o seu discurso, o Chefe de Estado considerou que a Zona de Comércio Livre Continental Africana representa uma oportunidade histórica, ao criar um mercado de aproximadamente 1,4 mil milhões de pessoas, com uma previsão de crescimento em termos de comércio intra-africano de 52% até 2035.
Progressos
De acordo com o relatório apresentado pelo estadista angolano na República Árabe do Egipto, registaram-se progressos importantes no desenvolvimento das infra-estruturas necessárias para a interligação do nosso continente, com especial destaque para os projectos prioritários nos sectores dos transportes, energia e digitalização no âmbito do Programa para o Desenvolvimento das Infra-estruturas em África, PIDA.
Segundo o PIDA, há realizações notáveis que devem ser referidas, tais como a harmonização de procedimentos no Corredor Abidjan–Lagos que abrange cinco Estados, a operacionalização da interligação energética Quénia – Tanzânia, a entrada em serviço da linha de transmissão de energia de 400 kW que liga Moçambique ao Malawi e a conclusão dos trabalhos de pré-viabilidade da interligação Angola-RDC entre o Soyo e o Inga.
Também mereceu realce o facto de o modelo de Posto Fronteiriço de Paragem Única se ter expandido em diferentes regiões do continente e de mais de 50 projectos regionais de infra-estruturas de Tecnologias de Informação e Comunicação, terem sido avaliados positivamente quanto à sua viabilidade financeira.
João Lourenço considerou serem passos importantes” porque o nosso mercado continental não poderá funcionar eficazmente sem as infra-estruturas físicas e digitais necessárias para movimentar pessoas, bens, energia e informação através das nossas fronteiras”.
“A par disso, é importante destacar que continuamos a avançar na mobilização de recursos africanos para o desenvolvimento de África”, disse o Presidente João Lourenço.
“Apesar disso, é importante que nos compenetremos de que os benefícios do mercado único africano só serão plenamente concretizados se ligarmos os nossos países através de infra-estruturas como estradas e caminhos-de-ferro que atravessem fronteiras, de energia disponível e acessível, de conectividade digital, de normas harmonizadas, de cadeias de valor regionais e de condições que permitam às nossas empresas produzir, investir e comercializar em todo o continente”, completou.
O Presidente João Lourenço encontra-se desde a noite de sexta-feira, na República Árabe do Egipto para uma agenda de trabalho de dois dias.




