Nova Iorque (Do enviado especial) – O Presidente angolano, João Lourenço, considerou, esta terça-feira, em Nova Iorque, premente e urgente a reforma profunda do Conselho de Segurança da ONU, em que África, América Latina e Ásia deverão estar adequadamente representados como membros permanentes.
Nova Iorque (Do enviado especial) – O Presidente angolano, João Lourenço, considerou, esta terça-feira, em Nova Iorque, premente e urgente a reforma profunda do Conselho de Segurança da ONU, em que África, América Latina e Ásia deverão estar adequadamente representados como membros permanentes.
Num discurso proferido no Debate Geral da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, iniciado hoje, João Lourenço defendeu que a integração desses continentes no órgão responsável pela preservação da paz e segurança internacional deve contemplar todos os poderes inerentes.
Disse que num momento em que muito se defende a boa governação dos países, também na governança do mundo se clama por uma nova ordem mundial mais democrática e justa, que não se baseie apenas no poder do restrito clube dos vencedores de uma guerra que teve lugar há oito décadas.
“Assistimos hoje ao envolvimento directo de alguns membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas nos conflitos mais sangrentos e destruidores da actualidade na Europa e no Golfo Pérsico, o que constitui motivo de preocupação e um mau exemplo para o resto do mundo”, observou.
O Chefe de Estado angolano salientou que esses países prestaram um grande serviço quando livraram a humanidade dos horrores do nazismo, do fascismo e do holocausto, devendo por isso preservar esse capital e legado de libertadores.
Frisou que de lá para cá o mundo conhece uma realidade diferente, emergiram novos países que na altura eram colónias e que hoje são economias fortes com importantes avanços na ciência e tecnologia.
Neste contexto, disse, Angola reafirma o seu pleno apoio à posição comum africana consagrada no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte.
“A voz dos africanos deve ser escutada em todas as circunstâncias, em todos os momentos nos processos de tomada de decisões estratégicas sobre as questões da paz, da segurança mundial, do financiamento ao desenvolvimento, assim como das questões climáticas e da governação mundial da inteligência artificial” advogou.
Para João Lourenço, a paz e o desenvolvimento são indissociáveis, o que obriga a pensar nas estratégias que podem ajudar a acelerar a implementação da Agenda 2030 do desenvolvimento sustentável.
A propósito, defendeu que as decisões importantes tomadas no âmbito do Pacto para o Futuro e do Compromisso de Sevilha podem ajudar a impulsionar os programas de desenvolvimento em África.
Contudo, sublinhou que para se alcançar resultados concretos neste domínio é fundamental que se garanta o financiamento acessível, o alívio da dívida, a transferência de tecnologias, a capacitação e uma maior participação nas instituições financeiras internacionais.
“Os países africanos gastam muito mais recursos com os valores exorbitantes do serviço da dívida do que o que conseguem investir nos programas de saúde, educação e construção de infra-estruturas”, salientou, notando que esta situação limita, obviamente, o investimento produtivo, aprofunda as desigualdades e as assimetrias económicas e ameaça a estabilidade económica e social.
O estadista angolano disse que em face disso impõe-se necessariamente a correção destas distorções, tendo reforçado o apelo à reforma imediata da arquitectura financeira internacional, para torná-la mais justa, equitativa, democrática e orientada para o progresso e o bem-estar da humanidade.
Referiu que estes desafios são em si mesmo complexos e agravam-se ainda mais, em consequência das alterações climáticas que têm uma dura incidência em África, com as secas severas e prolongadas, as inundações, a desertificação, a insegurança alimentar e as deslocações populacionais.
Este quadro ilustra bem a necessidade de se estabelecer um financiamento climático previsível, acessível e adicional, sem que isto agrave ainda mais a dívida dos países em desenvolvimento, segundo João Lourenço.
“Nos dias de hoje, os povos e as nações encontram-se perante uma oportunidade de dar um salto qualitativo nas suas condições gerais de vida, com recurso a mecanismos justos de apoio ao desenvolvimento e às ferramentas que a inteligência artificial proporciona para melhorar a educação, a saúde, a agricultura, os serviços públicos, a investigação científica e a produtividade económica”, frisou.
Neste âmbito, considerou que o Pacto Digital Global abre novas perspectivas de cooperação para reduzir o fosso digital, expandir as infra-estruturas públicas digitais, promover a formação e a inovação, fortalecer a cibersegurança e construir uma governação da inteligência artificial mais inclusiva, segura e centrada no ser humano.
Para esse efeito, defendeu que se impõe a necessidade de se reforçar a cooperação Norte-Sul, Sul-Sul e triangular, para tornar a revolução digital num instrumento de inclusão, soberania e desenvolvimento e não numa fonte de dependência e desigualdade.SR/ART




