O reforço das relações de amizade e cooperação entre os parlamentos de Angola e de Cabo Verde esteve no centro das discussões, ontem, em Luanda, durante uma audiência concedida pelo presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, ao embaixador cabo-verdiano, Júlio Morais.
À saída do encontro, o diplomata cabo-verdiano explicou que a reunião com o líder do Parlamento angolano serviu para passar em revista as relações bilaterais e projectar um novo ciclo político-institucional entre as duas nações.
Entre os temas abordados, destaca-se a preparação da visita oficial de Adão de Almeida a Cabo Verde, agendada para o primeiro trimestre do próximo ano.
Para além do plano parlamentar, os interlocutores avaliaram oportunidades nos domínios económico e cultural.
Júlio Morais apontou “perspectivas positivas” na parceria e defendeu que a conectividade aérea é o pilar fundamental para estreitar laços, intensificar o intercâmbio técnico-profissional e impulsionar o ambiente empresarial, com forte enfoque nos sectores do Turismo e da Cultura.
O embaixador previu para 2027 avanços significativos com a implementação de projectos estruturantes, destacando a criação da futura “Casa da Cultura de Cabo Verde em Angola”.
Este espaço cultural, que já se encontra em fase avançada de planeamento, foi idealizado para funcionar como um verdadeiro pólo dinamizador da identidade cabo-verdiana em solo angolano. Além de acolher exposições artísticas, lançamentos literários e espectáculos musicais, a instituição terá o papel estratégico de preservar a memória histórica partilhada entre as duas nações, servindo como um ponto de encontro e de intercâmbio criativo permanente para as comunidades residentes, criadores de conteúdos e investigadores de ambos os países.
Adicionalmente, sublinhou o papel estratégico que a transportadora aérea angolana, TAAG, deve assumir na ligação à sub-região africana a partir do arquipélago.
O diplomata destacou que a consolidação de rotas regulares através de Cabo Verde pode funcionar como uma placa giratória para o Atlântico Médio e a África Ocidental, optimizando o transporte de passageiros e o escoamento de mercadorias.
O embaixador concluiu reafirmando a solidez das relações de Estado, mas aproveitou a ocasião para apelar a um maior investimento do empresariado angolano em solo cabo-verdiano.
Júlio Morais apontou que o mercado do arquipélago oferece incentivos atractivos e estabilidade para a expansão de capital angolano nas telecomunicações, combustíveis, imobiliário e banca.




