Nova Iorque (Do enviado especial) - Angola tem conseguido aceder aos mercados internacionais e cumprir as suas responsabilidades financeiras, apesar dos elevados custos de financiamento, afirmou, esta segunda-feira, em Nova Iorque (EUA), o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
Nova Iorque (Do enviado especial) - Angola tem conseguido aceder aos mercados internacionais e cumprir as suas responsabilidades financeiras, apesar dos elevados custos de financiamento, afirmou, esta segunda-feira, em Nova Iorque (EUA), o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
Em declarações à imprensa, após participar no Fórum Africa Finance Corporation (AFC), José de Lima Massano explicou que, apesar dos resultados alcançados por Angola no acesso aos mercados internacionais, os custos suportados pelo país ainda não reflectem plenamente a realidade da sua economia.
O governante referiu que Angola não regista incumprimentos das suas responsabilidades, mas, ainda assim, enfrenta custos de financiamento superiores aos de alguns países que apresentam, de forma cíclica, situações de incumprimento.
Para José de Lima Massano, esta realidade está relacionada, entre outros factores, com a forma como o risco dos países africanos é avaliado nos mercados internacionais, onde nem sempre são devidamente considerados o potencial e as características das suas economias.
“Temos de ter uma abordagem diferenciada”, defendeu o ministro de Estado, ao considerar necessário um trabalho junto dos reguladores, operadores e agentes dos mercados internacionais para explicar melhor a realidade dos países africanos.
José de Lima Massano chamou igualmente a atenção para a questão das reservas internacionais dos países africanos e para o facto de existirem apenas cinco ou seis moedas, a nível internacional, consideradas moedas de reserva, nenhuma das quais pertence ao continente africano.
Segundo o governante, quando os países africanos mantêm reservas em moedas como o dólar ou o euro, esses recursos permanecem fora dos mercados africanos, apesar de o continente possuir necessidades próprias de financiamento.
“Se nós temos reservas em dólares, não é no mercado africano onde esses dólares ficam. Se temos reservas em euros, não é no mercado africano onde essa moeda está”, explicou.
Considerou que esses recursos poderiam contribuir para o financiamento das próprias economias africanas, pelo que é necessário continuar a trabalhar na melhoria da capacidade de mobilização e utilização dos recursos existentes no continente.
O ministro de Estado defendeu também o reforço da capacidade operacional das instituições africanas e a construção de uma posição comum perante os reguladores de outros mercados, para que a realidade das economias do continente seja melhor compreendida.
Admitiu que iniciativas isoladas dos países podem ter impacto limitado e defendeu uma intervenção a nível continental, eventualmente no quadro da União Africana, com um discurso comum sobre as condições de financiamento e o risco das economias africanas.
Outro dos desafios apontados por José de Lima Massano prende-se com a mobilização de recursos para o financiamento das infra-estruturas, numa altura em que os países africanos enfrentam um forte crescimento demográfico e necessidades crescentes de desenvolvimento.
O governante considerou que África precisa de mobilizar recursos suficientes para criar infra-estruturas capazes de acompanhar o crescimento das populações e melhorar as condições de vida, em linha com a visão da Agenda 2063 da União Africana.
No caso de Angola, apontou o trabalho de reformas estruturais que tem permitido criar condições para aumentar a produção, gerar emprego e tornar a economia mais aberta, com o objectivo de acelerar o desenvolvimento.
José de Lima Massano considerou que este processo deve ser acompanhado por uma maior aproximação entre as economias africanas e os mercados internacionais, de modo a facilitar a mobilização de recursos em condições mais adequadas às necessidades dos países.
O ministro de Estado salientou, por outro lado, que os países africanos possuem capacidades e recursos que podem ser melhor aproveitados para financiar o desenvolvimento do próprio continente.
Afirmou que o trabalho deve prosseguir tanto a nível interno, com o reforço das reformas e da capacidade de mobilização de recursos, como a nível continental, através de uma acção concertada para apresentar aos mercados internacionais uma visão mais próxima da realidade africana.
O Fórum Africa Finance Corporation, que decorreu à margem da Semana de Alto Nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, reuniu líder políticos africanos e de instituições financeiras, com objectivo de abordou questões relacionadas com o financiamento das infra-estruturas e o desenvolvimento das economias africanas.SR/ART/DOJ




