A oposição angolana intensifica negociações para criar coligações capazes de desafiar o MPLA nas eleições de 2027. Cresce a pressão por uma candidatura unida à alternância.
Em Angola, começam a desenhar-se duas grandes frentes políticas da oposição com vista às eleições gerais de 2027. Vários partidos intensificam contactos, inclusive com representantes da sociedade civil, na tentativa de construir alternativas ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido que governa o país desde a independência, em 1975.
A pouco mais de um ano do próximo escrutínio, permanece uma questão central: Será que a Frente Patriótica Unida (FPU) se transformará finalmente numa coligação eleitoral ou haverá outro tipo de coligações?
UNITA pretende formalizar a FPU
Segundo o Novo Jornal, que cita o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, o maior partido da oposição pretende formalizar a Frente Patriótica Unida (FPU) junto do Tribunal Constitucional para "promover uma transição democrática" em Angola.
Contudo, Costa Júnior não adiantou qualquer data para esse processo, sublinhando apenas que o tema continua a ser debatido entre a UNITA e os seus parceiros políticos.
Em declarações à DW África, sem gravar entrevista, o porta-voz da UNITA, Fernando Falua, esclareceu que, para já, está apenas em causa o registo da designação Frente Patriótica Unida e não a sua transformação numa coligação eleitoral.
Partidos da oposição da Frente Patriótica Unida (FPU), em julho de 2014Foto: João Carlos/DW
Outra plataforma procura agregar mais partidos
Entretanto, a plataforma Encontro de Unidade para Alternância Democrática em 2027, constituída pelo Bloco Democrático (parceiro da UNITA na FPU), PDP-ANA, PPA e Partido Nacional de Salvação de Angola (PSNA), já admite a criação de uma coligação mais ampla.
À DW, o presidente do PSNA, Alexandre Sikonda, confirmou que decorrem trabalhos nesse sentido.
"Por enquanto somos quatro, mas podemos evoluir para cinco, seis ou sete partidos e formar uma grande coligação para as próximas eleições. Este é um sinal de que existe vontade de união entre os partidos para tentarmos derrotar o MPLA nas próximas eleições", declarou.
Alexandre Sikonda considera que, após mais de cinco décadas de governação do MPLA, chegou o momento de uma alternância política.
"Achamos que 50 anos bastam. Neste momento, é necessária a união das forças da oposição", defendeu.
Há partidos que ainda aguardam
Apesar das movimentações em curso, nem todas as formações políticas manifestaram disponibilidade para integrar desde já uma coligação.
É o caso do PRA-JA Servir Angola, que integrou a FPU nas últimas eleições, bem como do Partido Liberal e do Renova Angola, que preferem acompanhar a evolução da conjuntura política antes de tomar uma decisão.
O presidente do Renova Angola, Manuel Fernandes, explicou à DW que a prioridade do partido é, para já, o reforço da sua estrutura organizativa.
"Neste momento, precisamos ainda de organizar o partido e consolidar a sua presença em todo o território nacional. É esse trabalho que estamos a desenvolver e está a decorrer de forma positiva", afirmou.
Ainda assim, Manuel Fernandes admite a possibilidade de integrar uma futura plataforma comum da oposição.
"Toda a iniciativa que contribua para a união de esforços e para a construção de um instrumento político comum para as próximas eleições é positiva. Seria desejável existir uma plataforma forte, capaz de retirar do poder um partido que governa há mais de 50 anos", concluiu.




