Angola pronta para contribuir na preservação dos glaciares

A ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho, afirmou que Angola está pronta para contribuir, aprender e cooperar na preservação dos glaciares, apesar de não possuir este tipo de formações naturais no seu território. A declaração foi feita durante a plenária de abertura da Conferência Internacional de Alto Nível sobre a Preservação dos Glaciares, na cidade de Dushanbe, capital do Tajiquistão.
Na ocasião, a ministra reafirmou o compromisso do país com a acção climática global, alinhando as suas políticas com o Acordo de Paris. Sublinhou que a Estratégia Nacional de Angola sobre as Alterações Climáticas (ENAC 2022–2035) estabelece um roteiro ambicioso para mitigar as emissões e adaptar-se aos impactos climáticos, incluindo fenómenos extremos como secas e cheias.
Ana Paula de Carvalho lembrou que, embora Angola não tenha glaciares, reconhece os efeitos profundos do seu degelo no nível do mar, nas correntes atmosféricas e oceânicas e nos padrões de precipitação. “É nesse espírito de solidariedade climática e responsabilidade partilhada que nos unimos a esta plataforma internacional”, afirmou.
A ministra defendeu o reforço da diplomacia climática e hídrica, apelando a uma acção multilateral robusta que inclua financiamento justo, transferência de tecnologia e capacitação institucional.
Ana Paula de Carvalho agradeceu ao Governo do Tadjiquistão pela organização do evento, destacando que “esta conferência representa mais do que uma defesa dos glaciares, pois representa a defesa da vida, da dignidade e do futuro das gerações vindouras”.
Embaixador defende cooperação científica e solidariedade climática
Na mesma conferência internacional, o Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Angola na Federação Russa, Augusto da Silva Cunha, reforçou a necessidade de cooperação multilateral e diplomacia hídrica para enfrentar os efeitos da crise climática.
O diplomata reiterou que Angola, embora tropical e sem glaciares, sofre as consequências do seu degelo, como qualquer outro país. Referiu-se à ENAC 2022–2035 como um documento essencial para a mitigação dos efeitos das alterações climáticas, e lembrou que África possui apenas três glaciares, cobrindo 10km² do território.
“O degelo tem implicações directas para o clima global, regimes de precipitação, segurança hídrica e alimentar”, disse. Defendeu, por outro lado, que a gestão sustentável da água e a importância da monitorização científica, destacando que Angola se junta à plataforma internacional “num espírito de responsabilidade partilhada”.


