Angola propõe missão conjunta para o fim do conflito armado no Sudão

Angola propôs, segunda-feira, em Adis Abeba, Etiópia, a criação de uma missão conjunta de alto nível para negociar o cessar-fogo e relançar o diálogo nacional inclusivo, visando ao fim do conflito no Sudão.
A proposta foi manifestada pelo conselheiro Filipe Jaime Ricardo, na 1293.ª Reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana sobre a Situação na República do Sudão, em representação do embaixador de Angola na Etiópia e representante permanente junto da União Africana (UA) e da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), Miguel Bembe.
A comissão deverá ser constituída pela União Africana (UA), Organização das Nações Unidas (ONU), Autoridade Intergovernamental sobre o Desenvolvimento (IGAD) e pela Liga dos Estados Árabes (LEA), com um mandato claro para negociar o cessar-fogo e relançar o diálogo nacional inclusivo.
Na ocasião, a delegação angolana defendeu, igualmente, o estabelecimento de uma "Task Force Africana" para a unidade do Sudão, como mecanismo de prevenção contra partições forçadas, de supervisão e segurança fronteiriça, para controlar os fluxos transfronteiriços de armas e de combatentes.
Outro ponto avançado pela delegação angolana nesta reunião tem a ver com a urgência de os países africanos e a comunidade internacional adoptarem uma posição comum, coordenada, clara e firme sobre a proliferação, acesso e a circulação de armas no Sudão.
Para contornar este quadro, Angola sugeriu a criação de um mecanismo conjunto de monitoramento regional, em estreita colaboração com o CPS-UA, a CIRGL, a IGAD e o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS-NU).
Este mecanismo conjunto, precisou a delegação angolana, teria como objectivo identificar, bloquear e desmantelar os canais de fornecimento ilegal de armamento às partes envolvidas no conflito, para fazer a pressão diplomática sobre os países vizinhos e fornecedores externos, bem como aplicar sanções direccionadas e embargos rigorosos, com a supervisão independente.
Angola manifestou a sua preocupação com o agravamento contínuo da crise política, humanitária, económica, social e de segurança no Sudão.Apesar dos esforços desenvolvidos pela União Africana, através dos Mecanismos Alargados, a delegação angolana disse estar-se a assistir, ainda assim, a deterioração alarmante da situação, marcada por fragmentações políticas perigosas e uma escalada militar insustentável.
Desde o início deste conflito, em Abril de 2023, contabilizam-se milhares de mortos, de feridos, mais de 25 milhões de pessoas afectadas por necessidades humanitárias agudas, e milhões de deslocados e refugiados.
As infra-estruturas vitais do país, nomeadamente, os hospitais, escolas, sistemas de abastecimento de água e electricidade foram brutalmente destruídas.Neste contexto, refere que as crianças e mulheres têm estado a pagar o preço mais elevado com violações graves dos Direitos Humanos e actos que desafiam a dignidade humana.
Em função disso, a delegação angolana, que condenou a criação de um "governo paralelo" no Sudão, considerou fundamental uma viragem na abordagem do conflito neste país, tendo em conta a mudança das suas dinâmicas.
Disse ser essencial que o povo sudanês seja colocado no cerne de todas as iniciativas e acções, apelando às partes beligerantes para pensar prioritariamento o país, antes das suas ambições pessoais.


