Luanda – Angola reafirmou, esta terça-feira, em Belgrado, o seu compromisso com o reforço do multilateralismo e o respeito pelos princípios da soberania, independência, igualdade, coexistência pacífica e cooperação.
Luanda – Angola reafirmou, esta terça-feira, em Belgrado, o seu compromisso com o reforço do multilateralismo e o respeito pelos princípios da soberania, independência, igualdade, coexistência pacífica e cooperação.
A posição foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, em representação do Presidente da República, João Lourenço, na Reunião de Alto Nível que assinala o 65.º aniversário da Primeira Conferência do Movimento dos Países Não Alinhados.
Segundo uma nota de imprensa do Ministério das Relações Exteriores enviada à ANGOP, Téte António considerou actuais os princípios que estiveram na origem do Movimento dos Países Não Alinhados, perante um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos, desigualdades e crescente fragmentação.
Afirmou que o não alinhamento “nunca significou indiferença” nem “isolamento”, mas a afirmação da soberania e a convicção de que o diálogo e a cooperação devem prevalecer sobre o confronto.
Neste sentido, defendeu o respeito pelos princípios da soberania, independência, igualdade, coexistência pacífica e cooperação, bem como o direito dos Estados de definir os seus interesses nacionais e escolher as suas parcerias.
Reafirmou, igualmente, o compromisso de Angola com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo o respeito pela soberania, integridade territorial, independência política, autodeterminação e resolução pacífica dos conflitos.
O governante chamou ainda a atenção para desafios globais como as alterações climáticas, pandemias, insegurança alimentar, ameaças cibernéticas e instabilidade financeira, considerando que nenhum país poderá enfrentá-los isoladamente.
No domínio económico, Téte António defendeu uma arquitectura financeira internacional mais adequada às necessidades dos países em desenvolvimento, sobretudo no acesso ao financiamento e à tecnologia.
Sobre a transição energética, considerou necessária uma abordagem justa e equilibrada, sensível às diferentes circunstâncias nacionais e que preserve as opções de desenvolvimento dos países.
Em relação à Inteligência Artificial, reconheceu as oportunidades que oferece para o desenvolvimento, mas alertou para a necessidade de os países em desenvolvimento participarem na definição das regras e soluções desta transformação tecnológica.
Quanto ao Movimento dos Países Não Alinhados, o ministro considerou a diversidade dos seus membros uma força e apelou à identificação de pontos de convergência em torno do direito internacional, do multilateralismo e da cooperação económica, científica e tecnológica.
Téte António apontou ainda o Movimento como uma possível ponte num contexto internacional marcado por divisões, capaz de criar espaços de diálogo e cooperação, sem se transformar num novo bloco.
“Cada nação tem uma voz, cada nação tem opções e cada nação tem o direito de definir o seu próprio futuro”, afirmou.
A reunião de alto nível decorreu em Belgrado, Sérvia, para assinalar os 65 anos da Primeira Conferência do Movimento dos Países Não Alinhados, realizada na capital sérvia, em Setembro de 1961.
O Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) surgiu no contexto da Guerra Fria, quando o mundo estava dividido entre o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o bloco socialista, liderado pela União Soviética.
O Movimento procurou reunir países que não desejavam submeter-se aos interesses de nenhuma das duas grandes potências.
Um dos principais antecedentes do MNA foi a Conferência de Bandung, realizada na Indonésia, em 1955, com a participação de 29 países da Ásia e da África.
A conferência destacou a defesa da soberania, da autodeterminação, da cooperação e do fim do colonialismo.
O MNA foi oficialmente criado em 1961, na Conferência de Belgrado, na então Iugoslávia. Entre os seus principais líderes fundadores estavam Josip Tito, da Jusgolavia, Jawaharlal Nehru, da Indía, Gamal Abdel Nasser, Egipto, Sukarno, da Indonésia, e Kwame Nkrumah, do Ghana.ART



