Angolana Elsa Bárber reeleita na Assembleia

A angolana Elsa Bárber foi reeleita presidente da Assembleia-Geral da Federação Internacional das Mulheres de Carreira Jurídica, durante o XXV Congresso, realizado sábado.
A eleição da jurista aconteceu na sequência do momento mais alto do conclave, em que foram reeleitas, também, a presidente da Federação de Mulheres de Carreira Jurídica, a brasileira Manoela Gonçalves. A vice-presidência do órgão é ocupada por todos os presidentes das associações dos países integrantes, cuja missão é dirigir os destinos da organização por um período de três anos.
À margem do processo eleitoral, foi lançada uma obra com 640 páginas, que versa sobre temas ligados à justiça e ética feminista, com enfoque na equidade de género.
A advogada e escritora angolana Victorina Cuanga, integrante da delegação angolana, produziu uma reflexão constante do livro em torno da desigualdade entre homens e mulheres no exercício de profissões jurídicas, com incidência para as dificuldades actuais da mulher advogada.
Para a jurista, em Angola, onde a população é maioritariamente composta por mulheres, “ainda há um longo caminho a percorrer para se alcançar as condições de igualdade e equidade de género”.
Victorina Cuanga identificou algumas causas que explicam a desigualdade profunda sentida entre a mulher advogada e o homem advogado, argumentando ter origem na facilidade de acesso e permanência das meninas e meninos nos ensinos primário, secundário e superior, de onde resulta que as meninas enfrentam mais condicionantes ao longo do percurso académico.
“Ultrapassados os obstáculos de acesso à educação, a mulher, enquanto advogada, enfrenta problemas que são quase alheios aos homens, tais como a maternidade e o trabalho doméstico. Este facto explica a ocupação maioritária por homens no exercício da advocacia e na ocupação de cargos de topo”, disse.
A procuradora Vladimira João apresentou, igualmente, um artigo científico sobre Inteligência Artificial e género.



