O Bloco para a Alternância Social de Todos os Angolanos (BASTA), legalizado esta quinta-feira, 10, pelo Tribunal Constitucional, é coordenado por Jovete Cangoma Domingos, antigo membro do Comité Provincial da UNITA no Bengo.
Antes de avançar com um projecto político próprio, Jovete Cangoma esteve ligado à UNITA e integrou a estratégia eleitoral da Frente Patriótica Unida (FPU) nas eleições gerais de 2022, tendo sido candidato a deputado à Assembleia Nacional pelo círculo provincial do Bengo. Apesar de não ter sido eleito, permanece como deputado suplente.
Segundo informações apuradas pelo Correio da Kianda, a relação de Jovete Cangoma com a direcção da UNITA terá posteriormente ficado marcada por divergências internas. O político terá manifestado descontentamento com decisões tomadas pela estrutura provincial, que, segundo o próprio, não correspondiam às suas expectativas de participação e reconhecimento dentro do partido.
A saída da UNITA antecedeu a criação de uma estrutura política própria, numa altura em que o espaço da oposição angolana continua a ser marcado por reorganizações internas e pelo surgimento de novos projectos com vista às eleições gerais de 2027.
Durante a sua passagem pela UNITA, Jovete Cangoma esteve ligado às actividades de mobilização partidária no Bengo e no Cuanza-Norte. Foi igualmente assessor da presidência da LIMA, organização feminina da UNITA, e exerceu funções de coordenação da Brigada de Mobilização (BM) a nível provincial do Bengo.
Segundo a sua trajectória política, esteve também entre os responsáveis pela criação da Brigada de Mobilização Especial (BM) nas províncias do Bengo e do Cuanza-Norte, estrutura através da qual participou em actividades de mobilização do partido.
Em 2022, o seu nome integrou a lista de candidatos da FPU pelo círculo provincial do Bengo. Não tendo conseguido um mandato efectivo, permaneceu na condição de suplente, estatuto que mantém actualmente.
O próprio Jovete Cangoma relata que, posteriormente, lhe foi proposta uma função de secretário provincial para a mobilização urbana no Cuanza-Norte, mas que a nomeação não chegou a concretizar-se.
É neste contexto de afastamento progressivo da estrutura partidária que Jovete Cangoma avançou para a criação do BASTA, agora reconhecido legalmente pelo Tribunal Constitucional.
A legalização do novo partido abre uma nova etapa na carreira política do seu coordenador e coloca o BASTA entre as formações que passam a integrar oficialmente o quadro partidário angolano, numa fase de preparação para o próximo ciclo eleitoral.
Com o reconhecimento legal, o desafio passa agora pela estruturação do partido, definição dos seus órgãos e apresentação de uma estratégia política capaz de conquistar espaço num cenário de oposição cada vez mais diversificado.



