O Governo e o Grupo GAV rubricaram, segunda feira, em Luanda, um memorando de entendimento para a elaboração de estudos e projectos direccionados à construção da auto-estrada Oeste-Leste, infraestrutura que ligará as províncias de Benguela e do Moxico.
O instrumento foi assinado pelo director-geral do Instituto de Estradas de Angola (INEA), Henrique Vitorino, e pelo presidente do conselho de administração do Grupo ANAVANY (GAV), Eugénio Clemente, sob o testemunho do ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos dos Santos. Os estudos técnicos vão abranger as províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico, numa extensão aproximada de 1.330 quilómetros, prevendo ainda ligações transfronteiriças aos países limítrofes da região Leste de Angola, como a Zâmbia. A futura malha rodoviária foi projectada para impulsionar o desenvolvimento económico nacional, reforçar a integração territorial e optimizar a mobilidade interprovincial. Para a execução desta etapa inicial, serão destinados 21 milhões de dólares exclusivamente para os estudos de viabilidade. Em declarações à imprensa, à margem da cerimónia, o ministro Carlos dos Santos revelou que todo o projecto será executado por via de investimento privado. “Estamos a falar de um investimento de 21 milhões de dólares destinado a estudos e projectos. Como sabem, trata-se de várias análises de viabilidade económica e financeira, nomeadamente estudos de tráfego, uma vez que estamos a falar de capitais privados”, esclareceu. Para o titular da pasta das Obras Públicas, este é o momento ideal para Angola mobilizar financiamento privado para as grandes obras públicas, à semelhança do que já ocorre noutras geografias globais. Quando questionado sobre a garantia de execução por parte dos investidores, Carlos dos Santos mostrou-se convicto no sucesso da parceria. “Se essas garantias não existissem, não estaríamos hoje a realizar este acto. Antes da assinatura deste acordo, exigimos que todos os parceiros envolvidos demonstrassem capacidade para responder às exigências financeiras de um projecto desta dimensão”, asseverou. O governante lembrou ainda que Angola possui uma vasta rede rodoviária que ronda os 80 mil quilómetros de estradas, realçando que o Estado já rea- lizou investimentos significativos no sector. A nova iniciativa, que abrange cinco províncias ao longo dos seus 1.330 quilómetros, cumprirá rigorosamente a primeira fase de diagnóstico e recolha de dados de tráfego antes da apresentação pública dos resultados finais e do arranque das obras, garantiu. Ministro Carlos dos Santos fala em processo rigorosoQuestionado sobre a capacidade do Grupo ANAVANY (GAV) para assumir a empreitada, Carlos dos Santos explicou que a escolha da insti- tuição resultou de um processo selectivo rigoroso e de longo prazo. O ministro revelou que os termos de referência estiveram abertos a várias empresas, assegurando que “houve concorrência”. O governante esclareceu ainda que o consórcio é integrado por um conjunto de parceiros internacionais que subscrevem a iniciativa em parceria com o grupo angolano. “É precisamente essa parceria que nos dá a confiança de que o projecto será executado dentro dos prazos estabelecidos. Além disso, este é um reconhecimento da capacidade das empresas nacionais, que muitas vezes ficam de fora de grandes projectos. Criámos condições para que uma empresa angolana participe nesta iniciativa”, destacou. Quanto ao cronograma, o titular da pasta das Obras Públicas adiantou que a engenharia do projecto prevê a execução dos trabalhos em três fases. “Não seria realista afirmar que toda a autoestrada estará concluída até 2030”, enfatizou, assegurando que os estudos e projectos concluídos serão apresentados dentro de um ano. Carlos dos Santos lembrou que, em qualquer parte do mundo, uma infra-estrutura desta dimensão pode demorar cerca de dez anos a ser concluída, reforçando a importância da transparência com o público. Um corredor de desenvolvimento Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração do Grupo GAV, Eugénio Clemente, destacou que a autoestrada Oeste-Leste se afirmará como um vector estratégico para o país. “Acreditamos que esta infra-estrutura será um verdadeiro corredor de desenvolvimento, um motor de crescimento económico e um eixo de integração nacional; uma autêntica porta aberta para o futuro”, realçou. Para o gestor, o verdadeiro valor de uma obra pública não reside no seu custo financeiro, mas sim no impacto social e na transformação que ela gera nas comunidades.




