A construção da paz e da reconciliação em África exige um trabalho paciente e de longo prazo, assente na boa governação, em Estados capazes e em lideranças visionárias e estratégicas, capazes de prevenir e gerir conflitos e criar dinâmicas de crescimento inclusivo, sustentou o Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves.
O Chefe de Estado cabo-verdiano apresentou o ponto de vista durante a intervenção na Cimeira Extraordinária da União Africana, realizada domingo, em Luanda, na qualidade de Campeão da União Africana para a Preservação do Património Natural e Cultural de África.
José Maria Neves disse que a paz e o desenvolvimento são indissociáveis, alertando que um não pode existir de forma sustentável sem o outro.
“Onde não há paz não há desenvolvimento, mas, também, sem desenvolvimento e sem oportunidades para as pessoas não haverá, com certeza, paz”, afirmou.
Para contornar o quadro, José Maria Neves considerou permanente a criação de instituições políticas e económicas inclusivas, que promovam a igualdade social e regional, a prosperidade e oportunidades para as populações.
Na visão do Presidente cabo-verdiano, o continente africano precisa de adoptar uma visão de longo prazo para enfrentar as causas profundas dos conflitos e das crises, apostando numa governação capaz de responder às aspirações das populações e, sobretudo, de criar oportunidades para os jovens e as mulheres.
José Maria Neves apelou, igualmente, à valorização do património natural e cultural africano como instrumento de promoção da paz, do desenvolvimento e da inclusão.
Na qualidade de Campeão para a Preservação do Património Natural e Cultural de África, o Presidente de Cabo Verde apelou à necessidade de transformar o património natural e cultural de África em factor para a construção da paz e criação de oportunidades para os africanos, particularmente jovens e mulheres, potencializando toda a riqueza do continente.
José Maria Neves ressaltou que a riqueza natural e cultural do continente africano deve ser transformada em oportunidades concretas de desenvolvimento, emprego e inclusão, sobretudo para as novas gerações.
Mais autonomia
José Maria Neves destacou, na sua comunicação, a necessidade da implementação efectiva das decisões tomadas nas cimeiras africanas e o reforço do financiamento autónomo das iniciativas continentais.



