O comentador Bali Chionga considera que o Governo de João Lourenço é o mais escrutinado e criticado em Angola, contrariando as críticas do politólogo Agostinho Sicato, que aponta um recuo nas liberdades durante os últimos anos.
Bali Chionga defendeu que os cidadãos têm hoje mais liberdade para criticar os governantes e afirmou que o Presidente da República tem lidado com as críticas públicas sem contestar o direito à manifestação.
“Nós temos hoje mais liberdade. Este Governo é o mais escrutinado, é o mais criticado”, afirmou o comentador, acrescentando que nunca viu João Lourenço declarar publicamente que uma manifestação não devia ter sido realizada.
Em sentido contrário, Agostinho Sicato considera que Angola perdeu espaço de liberdade durante a governação de João Lourenço. O politólogo recordou as promessas de maior abertura no associativismo, feitas em 2017, e afirmou que, depois dos primeiros dois anos, os espaços de participação ficaram praticamente encerrados.
Sicato criticou também a forma como são vistos os cidadãos que se manifestam contra determinadas políticas públicas, considerando que o exercício desse direito continua a gerar desconfiança e críticas.
Apesar das reservas, o politólogo reconheceu avanços na construção de escolas e hospitais, mas considerou que esses progressos não foram acompanhados pela humanização dos serviços prometida pelo Executivo.
Já o académico Félix Ulica avaliou como razoável o desempenho do Presidente da República, tendo em conta os desafios enfrentados pelo país, incluindo os efeitos da pandemia da COVID-19 e outros factores externos.
O académico afirmou, no entanto, que esperava melhores resultados no segundo mandato, depois das expectativas criadas nos primeiros anos de governação.
Durante o debate, Bali Chionga destacou ainda o combate à corrupção como um dos aspectos a considerar na avaliação do Executivo, referindo dados segundo os quais Angola subiu 25 posições no ranking de percepção da corrupção entre 2017 e 2026.




