Barreiras institucionais

A bolseira de Governança e Género das Jovens Líderes Africanas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na Zâmbia, Tinomuda Daphne Gora, apontou as lacunas jurídicas, a falta de recursos e as barreiras institucionais como alguns dos principais obstáculos à participação feminina nos processos de paz.
Referiu que, em muitos países, as normas existentes não são suficientemente eficazes para garantir a inclusão das mulheres nas missões de paz e nos mecanismos de segurança. Para se diminuir estas lacunas, Tinomuda Daphne Gora propôs a adopção de políticas de recrutamento sensíveis ao género, programas de mentoria, capacitação contínua e maior financiamento a iniciativas lideradas por mulheres. Reconhecimento institucional A antiga ministra para a Promoção da Mulher, Criança e Família do Mali,Bouaré Samaké destacou o papel fundamental desempenhado pelas mulheres mediadoras nas comunidades africanas, sobretudo na resolução de conflitos familiares, comunitários e intercomunitários. Neste sentido, a activista e ex-presidente da Comissão de Protecção dos Direitos Humanos do Mali explicou que, “embora as mulheres estejam frequentemente na linha da frente da gestão de conflitos locais, continuam ausentes dos principais processos formais de negociação e mediação”. Na ocasião, Bouaré Samaké lamentou o facto de, em muitos contextos de crise, as mulheres serem relegadas para segundo plano, apesar de constituírem uma das camadas mais afectadas pelas hostilidades. Criação de políticas mais próximas das pessoasPor sua vez, a directora executiva e co-fundadora da Organização CIVIS, Rafaela Andrade, considerou importante reconhecer os progressos registados desde a aprovação da Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, instrumento internacional que promove a participação das mulheres nos processos de paz e segurança. A oficial sénior de Programas da organização Mercy Corps, Lynda Emmanuel, chamou a atenção para a necessidade de investir na liderança feminina e no fortalecimento das capacidades das mulheres, sobretudo nas comunidades mais vulneráveis. Lynda Emmanuel alertou ainda para a importância da assistência financeira e do apoio económico às mulheres sobreviventes de conflitos, muitas das quais assumem sozinhas a responsabilidade pelo sustento das famílias.



