Benguela: Caimbambo pode enfrentar insegurança alimentar após destruição de lavras pelas chuvas

A população do município do Caimbambo, na província de Benguela, poderá enfrentar dificuldades alimentares nos próximos meses, devido à forte destruição de campos agrícolas provocada pelas chuvas e pelo transbordo do rio Hallo.
A informação foi avançada ao Correio da Kianda pelo director municipal da Agricultura, José António, esta quarta-feira, 9.
Segundo o responsável, as cheias devastaram extensas áreas de cultivo e comprometeram os meios de produção agrícola, afectando seriamente a actividade de dezenas de famílias que dependem da agricultura de subsistência.
“Este ano não temos quase nenhuma produção por conta das cheias que danificaram as lavras, levou tudo o que tínhamos. Todas as lavras ao longo do rio Hallo foram destruídas”, afirmou José António Ngola.
O município de Caimbambo, que habitualmente apresenta níveis elevados de produção agrícola, sobretudo de milho, arroz, ginguba, laranja e abóbora, enfrenta agora uma realidade adversa, com impacto directo na segurança alimentar das famílias rurais.
Apesar da situação, as autoridades locais dizem ter prestado algum apoio inicial. Segundo o director municipal da Agricultura, cerca de 300 famílias beneficiaram de sementes de milho e feijão, fertilizantes e meios de trabalho, como enxadas, catanas e motobombas.
“Nós entregamos por cooperativas. Cada uma recebeu quatro sacos de fertilizantes, uma motobomba com seus componentes, catanas, machados e enxadas”, explicou.
Contudo, José António reconhece que os apoios ainda são insuficientes face à dimensão dos danos, sublinhando que muitas lavras foram completamente destruídas.
“As lavras já não existem mesmo, porque a água levou tudo, toda a terra. Os poucos cultivos que restaram estão a ser remediados, mas as famílias precisam de mais apoio”, reforçou.
De acordo com os dados avançados, foram afectados cerca de 728 agregados familiares ao longo da zona ribeirinha do rio Hallo, entre as localidades do Cábio, Brito e áreas próximas da ponte da Estrada Nacional 260.
As cheias também provocaram a perda de diversos meios de produção, incluindo 54 motobombas e mais de 500 metros de mangueiras, agravando ainda mais o cenário agrícola do município.


