Luanda – A 4ª edição da Bienal de Luanda vai centrar-se no reforço da governação da água em África como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos, informou esta segunda-feira, em Luanda, o secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas Albino.
Luanda – A 4ª edição da Bienal de Luanda vai centrar-se no reforço da governação da água em África como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos, informou esta segunda-feira, em Luanda, o secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas Albino.
Segundo o porta-voz da Bienal, que falava no lançamento oficial do certame, o Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, decorre nos dias 22 e 23 de Outubro de 2026, no Palácio de Convenções de Luanda, sob iniciativa de Angola, em parceria com a União Africana (UA) e a UNESCO.
Referiu ainda que o evento pretende colocar a água no centro do diálogo africano sobre paz, estabilidade, desenvolvimento sustentável e cooperação entre os Estados, no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Paz, que se celebra hoje, 21 de Setembro.
O secretário de Estado informou que a edição será marcada por um diálogo intergeracional entre chefes de Estado e de Governo e jovens líderes africanos, tendo como tema central “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”.
A escolha do tema, explicou, reflecte a importância estratégica da água para a vida, o desenvolvimento, a segurança, a cooperação entre os Estados e a prevenção de tensões e conflitos.
Nuno Caldas Albino considerou que a governação da água constitui uma dimensão essencial da paz e estabilidade, sobretudo, num contexto marcado pelas alterações climáticas, crescimento demográfico, pressão sobre os recursos naturais, migração, desigualdade no acesso a água e necessidade crescente de cooperação entre países e comunidades.
Defendeu, por isso, uma abordagem da água como espaço de diálogo e não de disputa, factor de aproximação entre povos e oportunidade para fortalecer mecanismos de cooperação, confiança mútua e integração continental.
Objectivos
Entre os principais objectivos da 4ª edição da Bienal de Luanda estão a promoção do diálogo político intergeracional sobre os desafios da água no continente, o reforço da compreensão da água como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos e o estímulo à cooperação transfronteiriça e à diplomacia da água.
A agenda inclui igualmente a análise da relação entre água, alterações climáticas, migração e deslocação interna, bem como a valorização da ciência, inovação, formação e desenvolvimento do capital humano.
A Bienal pretende ainda contribuir para o fortalecimento da cultura de paz e para a concretização das prioridades da Agenda 2063 da União Africana.
O programa da 4ª edição está estruturado em quatro grandes painéis de reflexão, que abrangem as dimensões política, social, ambiental, científica e económica da governação da água.
O primeiro painel, “Água, paz e cooperação transfronteiriça”, vai abordar a relação entre água, paz e cooperação entre Estados, com enfoque nos mecanismos de prevenção, mediação e resolução de conflitos através da diplomacia da água.
O segundo, subordinado ao tema “Governação da água e cidadania científica”, vai centrar-se na participação das comunidades e no papel da cidadania científica na governação dos recursos hídricos.
O painel vai igualmente valorizar a participação das mulheres, juventude e organizações da sociedade civil, assim como os princípios de equidade, inclusão e direitos humanos na construção de soluções sustentáveis.
Já o terceiro painel, “Água, alterações climáticas e migração”, vai analisar a relação entre recursos hídricos, alterações climáticas e migração, tendo em conta os impactos dos fenómenos extremos, os desafios da adaptação e resiliência e o nexo entre água, clima e conflitos.
O quarto painel, “Investimento na água e formação”, vai abordar a necessidade de reforço dos investimentos no sector da água, bem como a formação e valorização do capital humano.
Diálogo intergeracional
O principal momento da Bienal será o diálogo intergeracional de alto nível, subordinado ao tema “Governança inclusiva: unir as gerações para garantir disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objectivos da Agenda 2063 da União Africana”.
A iniciativa reunirá chefes de Estado e de Governo, jovens líderes africanos e representantes da diáspora, com objectivo de proporcionar um espaço de escuta, partilha e construção de compromissos entre diferentes gerações.
De acordo com o secretário de Estado, o diálogo reforça a centralidade da juventude na definição de respostas para os desafios actuais e futuros do continente e valoriza a participação das novas gerações na construção de uma África mais pacífica, inclusiva e sustentável.
A 4ª edição deverá reunir cerca de 500 participantes, entre altas individualidades, convidados e representantes de instituições nacionais e internacionais.
Actividades paralelas
À semelhança das edições anteriores, a 4ª Bienal de Luanda integra actividades paralelas e programas associados promovidos por instituições nacionais e internacionais parceiras.
Entre as iniciativas destaca-se a 2ª Conferência Nacional Ecuménica sobre o Resgate dos Valores Morais, Cívicos e Religiosos em Angola, que dará continuidade ao processo de reflexão e diálogo desenvolvido no quadro da Bienal de Luanda, que reunirá líderes religiosos angolanos e convidados especiais.
No Parque de Ciência e Tecnologia decorrerão, no dia 22 de Outubro, sessões dedicadas à relação entre ciência, tecnologia, inovação, inteligência artificial e cultura da paz.
A primeira sessão será subordinada ao tema “Cultura da Paz na Era da Inteligência Artificial: Governação Ética da Ciência, Tecnologia e Inovação”, enquanto a segunda abordará a “Cultura da Paz no Espaço Digital e da Informação: Cidadania Digital e Competências Digitais”.
No dia 23 de Outubro, a Cátedra UNESCO na Universidade Óscar Ribas acolherá uma sessão sobre ciência aberta, digitalização responsável e impacto social, subordinada ao tema “Águas Partilhadas, Futuros Partilhados: Construir uma Cultura de Paz em África através da Cooperação com a Água e a Educação”.
Também está prevista uma sessão sobre a contribuição do Fundo de Construção da Paz, que reunirá representantes das Nações Unidas, parceiros do Fundo de Construção da Paz, países doadores, instituições implementadoras e jovens beneficiários de projectos.
A programação inclui ainda a iniciativa ASPnet, da UNESCO, destinada às escolas associadas, desenvolvida em articulação com o Ministério da Educação de Angola e a Comissão Nacional de Angola para a UNESCO.
A iniciativa procura envolver crianças e jovens na agenda da cultura de paz, educação para a cidadania, diálogo intercultural e não-violência, bem como reforça a dimensão educativa e intergeracional da Bienal.
O Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz aconteceu pela primeira vez em 2019 para promover a paz, os direitos humanos, a diversidade cultural e os valores africanos.
A segunda edição, em 2021, destacou as artes, a cultura e o património como instrumentos para construir a África que desejamos.
Em 2023, a terceira edição abordou a educação, a cultura da paz e a cidadania africana como instrumentos para o desenvolvimento sustentável, evento que reuniu quase 800 participantes e consolidou-se como espaço de diálogo, cooperação e promoção da paz em África.ANM/ASS/ART




