
O Banco Nacional de Angola (BNA) reduziu a taxa básica de juro da economia de 17% para 15,75%, o primeiro corte de maior dimensão dos últimos meses, justificando a decisão com a contínua desaceleração da inflação e com a expectativa de que essa trajectória se mantenha até ao final do ano.
O Banco Nacional de Angola (BNA) reduziu a taxa básica de juro da economia de 17% para 15,75%, o primeiro corte de maior dimensão dos últimos meses, justificando a decisão com a contínua desaceleração da inflação e com a expectativa de que essa trajectória se mantenha até ao final do ano.
A decisão foi anunciada esta terça-feira, no final da 130.ª reunião do Comité de Política Monetária (CPM), que também reviu em baixa a previsão da inflação para 2026, passando a apontar para uma taxa de 8,6%.
Em paralelo, o banco central reduziu a taxa da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez de 18% para 16,75% e a da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 16% para 14,75%, reforçando o sinal de flexibilização da política monetária.
Segundo o comunicado do CPM, a inflação mensal desacelerou de 0,53% em Maio para 0,52% em Junho, mantendo a tendência de abrandamento observada nos últimos meses.
No plano internacional, o BNA destacou a descida do preço médio do petróleo Brent, que passou de 104,04 dólares em Maio para 84,56 dólares em Junho, uma redução de 18,72%. O banco central atribui esta evolução às negociações entre os Estados Unidos e o Irão e às expectativas de normalização do fornecimento de crude através do Estreito de Ormuz.
Ao nível da liquidez, o crescimento da base monetária continuou a reflectir o impacto da regularização, pelo Tesouro Nacional, dos pagamentos em atraso às empresas referentes a 2025, efectuados durante o segundo trimestre deste ano. Já o agregado monetário M2, em moeda nacional, registou uma ligeira redução mensal de 0,12% em Junho, embora mantenha um crescimento acumulado de 14,31% e homólogo de 24,77%.
O crédito à economia, em moeda nacional, aumentou 0,41% em Junho, atingindo um stock de 7,27 biliões de kwanzas. Apesar da recuperação mensal, o financiamento bancário continua abaixo do nível do início do ano, acumulando uma contracção de 1,72%.
No sector externo, o saldo acumulado da balança de bens melhorou para 10,56 mil milhões de dólares até Junho, mais 2,58 mil milhões do que no mesmo período de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações, que cresceram 3,59 mil milhões de dólares, acima da expansão de 1,01 mil milhões registada nas importações.
Entre os factores que impulsionaram as compras ao exterior, o BNA destaca a factura dos combustíveis, que mais do que duplicou, atingindo 2,19 mil milhões de dólares, um crescimento homólogo de 112,46%.
As reservas internacionais líquidas encerraram Junho em 14,93 mil milhões de dólares, suficientes para garantir 6,2 meses de cobertura das importações de bens e serviços. Segundo o banco central, a redução deste indicador reflecte a diminuição das reservas e o aumento dos pagamentos ao exterior.



