As barragens do Calucuve e do Ndue, localizadas na província do Cunene, entram hoje em funcionamento, numa iniciativa que reforça as acções do Executivo destinadas a mitigar os efeitos da seca na Região Sul do país.
As duas infra-estruturas, que são hoje inauguradas pelo Presidente da República, João Lourenço, integram o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), que contempla, igualmente, intervenções nas províncias do Namibe e da Huíla para garantir maior disponibilidade de água às populações, pecuária e à agricultura.
O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, explicou que as barragens foram concebidas para acumular a água das chuvas e garantir a sua distribuição ao longo dos canais e chimpacas construídos para atender as populações que vivem em regiões afectadas pela escassez hídrica.
Em declarações à imprensa após a inauguração do Centro da Juventude do Cunene “Olukeno”, João Baptista Borges esclareceu que, no total, os sistemas associados às duas barragens incluem cerca de 181 quilómetros de canais destinados a levar água às comunidades dispersas, incluindo regiões como a localidade de Embudo e zonas da periferia de Ondjiva.
As infra-estruturas, adiantou, vão permitir que a província disponha de água durante todo o ano, contribuindo para o abeberamento de centenas de milhares de cabeças de gado, abastecimento das populações e a irrigação de dezenas de milhares de hectares de terras agrícolas.
“As duas barragens integram um conjunto de projectos estruturantes para o reforço da segurança hídrica no Cunene, onde já funciona o projecto do Canal do Cafu”, reforçou o ministro, acrescentando que o programa contempla, igualmente, a construção de outras infra-estruturas, entre as quais a barragem da Cova do Leão, actualmente denominada Hita Hita, bem como sistemas de distribuição de água em diferentes municípios da província.
Água tratada nas chimpacas
Os reservatórios artificiais de água a céu aberto, também conhecidos como chimpacas, construídos no quadro do PCESSA, dispõem, segundo o ministro, de sistemas de tratamento e purificação de água.
Neste particular, acredita que a construção das barragens dos canais poderá contribuir para uma maior concentração das populações ao longo dos cursos de água.
“Actualmente, uma parte significativa das comunidades do Cunene vive dispersa, uma realidade que coloca desafios adicionais à governação e à prestação de serviços públicos”, pontuou, ao defender “que os investimentos representam o início de uma nova etapa para a província do Cunene e para o Sul de Angola”.
Programa abrange três províncias
O Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola não se limita à província do Cunene, inclui igualmente acções nas províncias do Namibe e da Huíla.
No Namibe, assegurou João Baptista Borges, estão em curso trabalhos de reabilitação de infra-estruturas hidráulicas construídas ainda no período colonial e que se encontravam fora de serviço, além da construção das barragens do Bero, Bentiaba e de outras obras de retenção de água.
Já as acções do PCESSA na Huíla incluem a recuperação da capacidade do açude da Tundavala, a ligação de sistemas de água à centralidade da Quilemba e a recuperação de furos, estando prevista a construção da barragem do Neno.
Para o ministro da Energia e Águas, o reforço das estruturas de armazenamento e distribuição de água tornou-se uma necessidade face ao crescimento da população e ao consequente aumento da procura por recursos hídricos.
Grandes reservatórios de água
De acordo com o Ministério da Energia e Águas, a barragem do Calucuve, com 31,60 metros de altura e 2.184 metros de comprimento, tem capacidade para armazenar cerca de 141 milhões de metros cúbicos de água.
A infra-estrutura, considerada estratégica no combate à estiagem no Cunene, está associada a um sistema de canais e chimpacas destinados à distribuição de água às comunidades e às actividades económicas da região.
Já a barragem do Ndue, situada na comuna do Mukolongondjo, possui 32,80 metros de altura e 1.500 metros de comprimento, com capacidade para armazenar cerca de 170 milhões de metros cúbicos de água.
As duas infra-estruturas foram projectadas para captar e armazenar a água das chuvas, assegurando reservas que possam ser utilizadas durante os períodos de maior escassez.
Presidente Félix Tshisekedi testemunha inauguração
O Chefe de Estado da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, testemunha a inauguração das barragens do Calucuve e do Ndue, a convite do Presidente João Lourenço.
A presença do Estadista congolês ocorre num contexto de reforço da cooperação bilateral entre Angola e a RDC, particularmente nos domínios da Energia e Infra-estruturas.
Durante uma recente visita de trabalho a Kinshasa, João Lourenço anunciou acordos de entendimento entre os dois países para a construção de novas linhas de transporte de energia eléctrica destinadas a ligar Angola à República Democrática do Congo.
Os projectos enquadram-se na estratégia de aprofundamento da cooperação bilateral e da integração regional, permitindo que a energia produzida em Angola possa contribuir para responder às necessidades de consumo doméstico e industrial no país vizinho.
Poliana dos Santos e Quinito Kanhameni | Ondjiva




