Candidatura de Higino Carneiro à presidência do MPLA anulada por “graves irregularidades”

“O mandatário declarou entregar 19.158 fichas de subscrição em 152 pastas. Entretanto, no acto da entrega, foi confirmada a falta de duas pastas da província do Bié. Nos termos das suas competências, a Subcomissão analisou e verificou as mesmas, tendo apurado apenas 14.493 fichas de subscrição à candidatura”, disse.
Job Capapinha sustentou ainda que no acto contínuo, a Subcomissão procedeu à análise e verificação da conformidade dos documentos sancionados para suportar a candidatura em referência, tendo confirmado graves irregularidades passivas da apreciação e decisão dos órgãos e organismos competentes do Partido.
Neste particular, segundo o político, foram confirmadas subscrições por supostos militantes que não estão regularmente inscritos nos caps do MPLA a que se aludem, foram confirmados cidadãos-subscritores com cartões descontinuados no seio do Partido, mas que aparecem com datas de emissão recentes.
“Foram confirmadas listas de subscritores assinadas por uma única pessoa em nome de vários outros supostos militantes e confirmados documentos de identificação civil, bilhetes de identidade falsos, devidamente comprovados pelos órgãos competentes”, sustentou.
Como exemplos relevantes, Job Capapinha apontou que na província de Luanda, confirmou-se a existência de uma declaração de apoio à candidatura, falsamente atribuída à militante Jamila Odete da Silva da Almeida, membro do Bureau Político do MPLA, que prontamente declarou de forma expressa e inequivocável em carta dirigida à subcomissão, que não escreveu, não autorizou e nem assinou qualquer documento de apoio à referida candidatura.
“Na província de Cabinda, foi confirmada uma declaração de apoio à candidatura com um bilhete de identidade número 000771195CA38 falsificado e metido em nome do Sr. Mateus Moanda”, disse.
O responsável disse que ainda assim, sobre as falsificações, foram verificadas, nas pastas de todas as províncias, falsas assinaturas nos mapas de suporte, repetição nos mapas de suporte, repetição de um mesmo nome em diferentes declarações de apoio à candidatura, bem como cartões falsos atribuídos a supostos militantes.
“Outro sim, após análise e verificação minuciosa do processo remedido, a subcomissão da candidatura já apurou, das 14.493 fichas de subscrições contabilizadas e confirmadas, o seguinte: 2.561 válidas, correspondente a 17,6%; 9.659 não válidas, correspondente a 66,6%; 2.273 falsas, correspondente a 15,6%”, sublinhou.
Face a estas irregularidades graves, Job Capapinha, assegurou que, a Subcomissão que dirige considera nula a candidatura apresentada.
Entretanto, a subcomissão, perante a gravidade dos fatos passivos de responsabilização criminal, assegurou que vai submeter o processo de candidatura aos órgãos competentes do partido para o seu devido tratamento, nos termos da linha E, do número 1 do artigo 116 dos Estatutos, reafirmados no Regulamento Eleitoral e no Código de Ética Partidária do MPLA.


