Carolina Cerqueira alerta para impacto das alterações climáticas em África

Luanda - A presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, alertou, esta segunda-feira, em Genebra (Suíça), para os efeitos devastadores das mudanças climáticas sobre as mulheres africanas.
Carolina Cerqueira falava no debate sobre o "desafio emergente à paz inclusiva e duradoura e o caminho a seguir", enquadrado na décima quinta reunião da Cimeira das Mulheres Presidentes de Parlamentos, que decorreu à margem da sexta Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos, a realizar-se de 29 e 31 do corrente mês.
Na sua intervenção, Carolina Cerqueira sublinhou que as alterações climáticas não são apenas uma ameaça ambiental, mas um factor agravante das desigualdades sociais e de género, especialmente em África, onde estruturas culturais, económicas e sociais profundamente enraizadas colocam as mulheres numa posição de maior vulnerabilidade.
“As mulheres africanas estão na linha da frente dos impactos climáticos. São elas que asseguram a agricultura de subsistência, recolhem água e lenha e garantem o sustento familiar. A seca, os desastres naturais e os deslocamentos forçados não só sobrecarregam estas mulheres como as expõem a situações extremas de fome, violência e exclusão”, afirmou.
Carolina Cerqueira lamentou o acesso desigual das mulheres aos recursos produtivos, ao crédito agrícola, às tecnologias e ao direito à propriedade, frisando que “a justiça climática só será possível com justiça de género”.
Reiterou a importância de se integrar as mulheres na tomada de decisões sobre a gestão de recursos naturais e financiamento climático, defendendo que “sem o envolvimento pleno das mulheres, não haverá paz inclusiva, nem soluções eficazes e duradouras para a crise ambiental”.
Reafirmou o compromisso de Angola com políticas públicas inclusivas que promovam a igualdade de género, justiça climática e construção de uma paz sustentável em África e no mundo.
Neste debate, à margem da sexta Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos, Carolina Cerqueira destacou que a liderança feminina é essencial para alcançar uma paz duradoura, inclusiva e sustentável no mundo contemporâneo.
Afirmou que “as mulheres e meninas, embora sejam as mais afectadas pelos conflitos armados e pelas mudanças climáticas, são também as que mais contribuem para a reconstrução e reconciliação das sociedades”.
Apontou que fenómenos como as alterações climáticas e a inteligência artificial quando mal geridos agravam as desigualdades de género e ampliam os riscos para as populações mais vulneráveis, sobretudo em contextos de guerra e crise humanitária.
“Precisamos de mais mulheres nos parlamentos, nas negociações de paz, na diplomacia, na ciência e nas lideranças comunitárias”, sublinhou a presidente da Assembleia Nacional, acrescentando que “uma paz sem a voz das mulheres é uma paz frágil”.
Recordou que, no parlamento angolano, tem sido incentivado o diálogo com mulheres e jovens sobre o seu papel na promoção da paz, igualdade do género e construção de uma cultura de reconciliação nacional.
Sublinhou os esforços de Angola à frente do Fórum Parlamentar da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) na promoção do diálogo, como caminho para a gestão dos conflitos que afectam duramente as mulheres e as meninas.
Denunciou o impacto da violência nas zonas de conflito, onde mulheres e meninas são frequentemente alvo de violações, raptos, maus-tratos físicos e psicológicos, defendendo acções urgentes e coordenadas da comunidade internacional.
A Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos, estabelecida pela primeira vez em 2000, na véspera da Conferência do Milénio das Nações Unidas, firma-se como um fórum único para a participação e o diálogo de alto nível entre os líderes parlamentares de todo o mundo.


