Caso Higino Carneiro: Justiça ou expediente político?

O general Higino Carneiro, militante do MPLA e assumido pré-candidato à liderança do partido, foi constituído arguido pela Procuradoria-Geral da República de Angola, acusado de peculato e burla qualificada.
O antigo ministro das Obras Públicas e ex-governador das províncias do Cuando Cubango e Luanda é acusado de peculato, por alegado uso de fundos públicos para fins particulares, e burla qualificada.
De acordo com uma nota da Procuradoria-Geral da República (PGR) consultada pela DW, Higino Carneiro responde a dois processos-crime que correm trâmites na Direção Nacional de Investigação e Ação Penal.
No primeiro o político, é acusado de desviar fundos públicos durante o mandato como governador do Cuando Cubango (2012-2016). No segundo, é citado por burla qualificada, por alegadamente ter recebido 60 viaturas de uma empresa privada enquanto governador de Luanda, distribuindo-as a terceiros sem efetuar pagamento.
Perseguição política?
Em declarações à DW, Salvador Freire, presidente da Associação Mãos Livres, defende que ninguém está acima da lei, mas questiona o momento escolhido pela PGR para anunciar os processos.
"Onde esteve a Procuradoria-Geral da República durante todo este tempo?", indaga o ativista, levantando suspeitas sobre uma possível motivação política.
Terá sido agora, por Higino Carneiro ter manifestado a intenção de concorrer à liderança do MPLA, com vista às eleições gerais de 2027? É uma questão colocada por vários analistas, nos corredores políticos e sociais em Luanda, incluindo Anselmo Kundumula.
"Deram este tempo todo a alguém que teria praticado crimes de peculato e de natureza lesiva ao interesse do Estado e só agora, quando manifestou a intenção de concorrer à presidência do MPLA, acionam este mecanismo?", acrescenta Kundumula.
O general Higino Carneiro deixou o cargo de governador de Luanda em 2017. Dois anos depois, foi acusado de peculato, nepotismo, tráfico de influências, associação criminosa e branqueamento de capitais, mas o Tribunal Supremo arquivou o processo.
Reagindo às novas acusações, Higino Carneiro declarou, nas redes sociais, que confia na Justiça.
"Depositamos confiança na Justiça, não como simples esperança, mas como compromisso firme com a verdade, a justiça e a responsabilidade que nos orienta", escreveu.
Especialista defende reformas na Justiça angolana
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