Nova Iorque – O Presidente da República, João Lourenço, considerou, esta terça-feira, nas Nações Unidas, “desastroso” o balanço das guerras no mundo, devido às consequências sobre a segurança alimentar, energética e humanitária e à ameaça de ruptura das cadeias de abastecimento.
Nova Iorque – O Presidente da República, João Lourenço, considerou, esta terça-feira, nas Nações Unidas, “desastroso” o balanço das guerras no mundo, devido às consequências sobre a segurança alimentar, energética e humanitária e à ameaça de ruptura das cadeias de abastecimento.
Ao discursar na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Chefe de Estado apontou o estrangulamento da liberdade de circulação marítima pelos estreitos de Ormuz e Bab-Al-Mandeb como uma das consequências dos conflitos, situação que criou um sério risco de disrupção das cadeias de abastecimento logístico, alimentar e energético.
Segundo João Lourenço, os efeitos desta situação são “devastadores” para os países mais vulneráveis, enquanto a segurança alimentar, energética e humanitária dos países e do mundo em geral piorou consideravelmente depois do eclodir das guerras contra a Ucrânia e, mais recentemente, contra o Irão.
O Presidente da República afirmou que a tentativa de dominação pela força das armas de países e regiões inteiras do globo tem conduzido o mundo para uma situação de catástrofe.
“Vivemos hoje num ambiente de anarquia mundial em que o uso da força impera sobre a força da razão e da Lei, em flagrante oposição às normas que regem as relações internacionais”, afirmou.
João Lourenço condenou igualmente o que classificou como genocídio contra populações indefesas, incluindo velhos, mulheres, crianças, doentes acamados, profissionais de saúde, jornalistas e trabalhadores de organizações humanitárias internacionais.
Segundo o Chefe de Estado, muitas destas pessoas são privadas do acesso aos mais elementares direitos do ser humano e a bens essenciais à vida, como água, alimentos e medicamentos.
A expulsão dos palestinos das suas casas e terras, através da expansão dos colonatos judeus na Cisjordânia, deve, segundo João Lourenço, merecer “a mais viva repulsa e condenação internacional”.
O Presidente da República manifestou também preocupação com a subalternização e violação das regras que regem as relações internacionais, com prevalência, segundo afirmou, da lógica da força, da intimidação e da imposição de valores decorrentes da visão unilateral de alguns países na defesa dos seus exclusivos interesses.
Para João Lourenço, a instabilidade registada em várias regiões do planeta constitui consequência directa desta postura, como se observa nos conflitos que se desenrolam na Europa, no Médio-Oriente, no Golfo Pérsico e em África, enquanto cresce a tensão na região da Ásia-Pacífico.
O Chefe de Estado afirmou não vislumbrar “sinais alentadores” quanto à probabilidade de se alcançar, nos próximos tempos, algum entendimento de paz nas guerras entre a Rússia e a Ucrânia, no conflito israelo-palestiniano no Médio-Oriente e no Golfo Pérsico.
Face a este quadro, João Lourenço defendeu a necessidade de uma profunda reflexão no seio das Nações Unidas, que considerou a única instituição do planeta com legitimidade e que alberga todas as nações do mundo, para encontrar as melhores soluções para o alcance da paz global.
“Nosso apelo vai no sentido de actuarmos com sabedoria e coragem para restaurar o papel central das Nações Unidas na sua responsabilidade e papel insubstituível de manutenção da paz mundial”, afirmou.
A 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, oficialmente aberta no dia 8 deste mês, tem como tema "Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos", reflectido a pertinência do reforço da capacidade do sistema multilateral, para responder eficazmente aos desafios globais emergentes.
É presidida pelo embaixador Khalilur Rahman, representante permanente do Bangladesh junto das Nações Unidas, eleito em Junho deste ano com base no princípio da rotatividade geográfica entre os grupos regionais da ONU para um mandato de um ano, iniciado este mês.
A Assembleia Geral das Nações Unidas é o principal órgão deliberativo, representativo e normativo da ONU, e reúne os 193 Estados-Membros para debater as principais questões da agenda internacional e adoptar orientações políticas sobre matérias relacionadas com a manutenção da paz e segurança internacionais.SR/ART




