A situação de segurança no Leste da República Democrática do Congo (RDC) esteve ontem no centro do diálogo entre o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, e o enviado especial do Presidente Félix Tshisekedi.
O encontro, realizado no Palácio Presidencial da Cidade Alta, em Luanda, focou-se no processo em curso de desarmamento, desmobilização e acantonamento das forças rwandesas das FDLR.
O ponto de situação foi apresentado pelo ministro da Integração Regional da RDC, Floribert Anzuluni Isiloketshi.
Em declarações à impren- sa após a audiência, o governante sublinhou que o seu país pretende continuar a contar com o apoio estratégico de Angola até à conclusão definitiva do processo de pacificação.
O enviado especial do Presidente Tshisekedi destacou o papel fundamental que Angola tem desempenhado desde o início na busca pela estabilidade da RDC, lembrando o grave impacto humanitário do conflito, marcado por perdas humanas e milhares de deslocados de guerra.
Quando questionado sobre as expectativas da RDC em relação aos parceiros internacionais e a Angola, Floribert Isiloketshi recordou a assinatura, no final do ano passado, do Acordo de Paz em Washington D.C., nos Estados Unidos. O diplomata sustentou que as negociações actuais continuam a seguir estritamente a lógica desse protocolo, assinado pelas partes em conflito e testemunhado por parceiros internacionais, incluindo Angola.
"Angola, por ser um parceiro estratégico e de grande peso no cenário internacional e na região, desempenha um papel transcendental para a conclusão deste processo", afirmou o ministro congolês.
No final da audiência, o governante reafirmou o total compromisso de Kinshasa com as disposições rubricadas em Washington, frisando que a prioridade é cumprir o roteiro até ao fim, garantindo que a rendição efectiva dos elementos das FDLR se torne uma realidade.
Por fim, Isiloketshi reconheceu que o Processo de Luanda foi a base estrutural que deu seguimento ao Acordo de Washington.
Embora o protocolo actual resulte de todas as etapas negociais prévias mediadas em Luanda, o ministro esclareceu que as conversações avançam agora sob a égide do compromisso de Washington. Destacou ainda os trâmites do Processo de Luanda que permitiram levar o dossier à União Africana, culminando na nomeação de um mediador oficial para o conflito.




