CIVICOP é apresentada nas Nações Unidas como exemplo de reconciliação pós-conflito

Angola apresentou, nas Nações Unidas, a experiência da Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) como um exemplo de reconciliação pós-conflito e de promoção da paz duradoura, durante a Sessão Anual da Comissão de Consolidação da Paz, realizada em Nova Iorque, no âmbito das comemorações do 20.º aniversário da Arquitetura de Consolidação da Paz da ONU.
A posição foi defendida pelo representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, embaixador Francisco José da Cruz, que destacou a experiência angolana na promoção da reconciliação nacional, assente na apropriação nacional, no diálogo inclusivo e no fortalecimento das instituições como instrumentos fundamentais para prevenir conflitos e consolidar a estabilidade.
Na ocasião, o diplomata sublinhou que, após décadas de conflito, Angola tem desenvolvido um processo contínuo de reconstrução nacional e de fortalecimento da coesão social, sendo a CIVICOP uma das iniciativas mais relevantes neste percurso.
Segundo Francisco José da Cruz, a comissão tem desempenhado um papel importante na localização, identificação e entrega dos restos mortais das vítimas dos conflitos políticos ocorridos entre 1975 e 2002 às respetivas famílias, permitindo a realização de cerimónias fúnebres condignas e promovendo o reconhecimento e a dignificação das vítimas.
O representante permanente salientou que esta abordagem demonstra que o tratamento responsável do legado dos conflitos constitui um elemento essencial para reforçar a confiança entre os cidadãos, preservar a memória coletiva e consolidar a unidade nacional.
Durante a sessão, Angola defendeu igualmente um maior investimento internacional na prevenção de conflitos e na consolidação da paz, apelando a uma atuação mais integrada e sustentável das Nações Unidas em apoio às prioridades definidas pelos Estados.
O diplomata reiterou que os resultados mais duradouros são alcançados quando os mecanismos internacionais complementam os esforços nacionais e permanecem para além das fases imediatas de pós-conflito, contribuindo para a estabilidade e o desenvolvimento sustentável.
Na mesma ocasião, Angola reafirmou o compromisso de continuar a promover a diplomacia preventiva, o diálogo inclusivo e a partilha da sua experiência com países em processo de recuperação pós-conflito, reforçando a cooperação internacional em matéria de paz e segurança.
Ainda nas Nações Unidas, durante o Debate Aberto do Conselho de Segurança sobre Crianças e Conflitos Armados, o embaixador Francisco José da Cruz destacou os progressos alcançados na proteção da infância, incluindo a libertação de mais de 220 mil crianças anteriormente associadas a forças e grupos armados, defendendo o reforço da proteção infantil e da responsabilização pelos crimes cometidos contra menores em cenários de conflito.


