Os comerciantes e os empresários angolanos e namibianos aplaudiram a assinatura do acordo para a criação de um posto fronteiriço de paragem única entre Santa Clara, em Angola, e Oshikango, na Namíbia, rubricado em Luanda, no quadro da visita de Estado de 72 horas da Presidente namibiana, Netumbo Nandi-Ndaitwah, ao país.
Os operadores económicos consideram que a entrada em funcionamento da infra-estrutura poderá reduzir os custos das operações comerciais, eliminar procedimentos burocráticos e melhorar a circulação de pessoas e mercadorias.
Para os comerciantes, despachantes oficiais e cidadãos que atravessam regularmente a fronteira para adquirir produtos destinados ao consumo ou à revenda, a medida representa uma oportunidade para superar os constrangimentos que condicionam as trocas comerciais entre os dois países.
Avelino Kalungolungo, empreendedor angolano que se desloca duas a três vezes por mês à Namíbia, sobretudo a Oshikango, para comprar artigos diversos, considera que a implementação do Posto de Fronteira Único vai acelerar as trocas comerciais e facilitar a mobilidade dos operadores económicos dos dois países.
O comerciante apontou o tempo de espera na fronteira como um dos principais obstáculos à actividade comercial. “Perdemos quatro a seis horas na fronteira. Tens de fazer fila do lado angolano, carimbar e, depois, ir a pé com a mercadoria para o lado namibiano e fazer tudo de novo”, desabafou.
Avelino Kalungolungo mencionou, também, as interrupções do sistema informático, a duplicação de taxas e a falta de informação clara sobre os produtos que podem atravessar a fronteira como dificuldades frequentes para quem compra mercadorias na Namíbia para revender em Angola.
“Quando o sistema cai, dormimos mesmo na fronteira”, afirmou, acrescentando que, em determinadas circunstâncias, os comerciantes acabam por pagar duas vezes pelo mesmo procedimento.
Jeremias Van-Dúnem, despachante oficial angolano em Santa Clara, manifestou a expectativa de que a futura infra-estrutura funcione com eficiência, simplifique os procedimentos administrativos e aduaneiros e melhore a capacidade de atendimento aos utentes. “Acreditamos que o acordo assinado vai dinamizar o comércio entre Angola e a Namíbia”, ressaltou.
Por sua vez, Jerónimo António, representante da Câmara de Comércio, Agropecuária e Industrial no Cunene, considerou que o acordo representa um passo positivo para aliviar os constrangimentos enfrentados pelos cidadãos e operadores económicos nas travessias entre os dois países.
O responsável acredita que a medida vai facilitar a circulação de pessoas e bens, fortalecer a integração regional no quadro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e promover a cooperação entre Angola e a Namíbia.
Satisfação é notória também do lado do país vizinho
Do lado namibiano, os empresários e os comerciantes ouvidos pelo correspondente do Jornal de Angola em Windhoek, Alberto Quiluta, também manifestaram satisfação com a assinatura do acordo, que consideram uma medida importante para melhorar as condições de circulação na fronteira.
É o caso da empresária namibiana Theopoldine Vekuua, ligada ao sector Agro-pecuário, que disse ter recebido a notícia com agrado, por considerar que o instrumento responde a uma preocupação antiga dos operado- res económicos que utilizam regularmente a passagem fronteiriça. “Este acordo vai reduzir os custos de tributação entre os dois países, em benefício das empresas e dos comerciantes”, ressaltou.
Por sua vez, a comerciante namibiana Vicky Citty considera que a medida vai contribuir para melhorar o tratamento das operações comerciais entre Angola e a Namíbia, com procedimentos mais simples e maior facilidade na circulação de mercadorias.
O empresário angolano Mariano da Cunha, residente na Namíbia há mais de duas décadas, classificou o acordo como uma mais-valia para os agentes económicos que desenvolvem actividades comerciais entre os dois países. “Este acordo para a criação do Posto Fronteiriço Único vai facilitar a movimentação de produtos e as trocas comerciais entre namibianos e angolanos, beneficiando empresários, empreendedores e comerciantes”, afirmou.
A comerciante Marta Paulino, que atravessa frequentemente a fronteira, também, saudou a assinatura do instrumento jurídico, por considerar que a medida vai acelerar o comércio entre os dois países, através da eliminação de procedimentos burocráticos.
Elautério Silipuleni | Ondjiva e Alberto Quiluta | Windhoek




