Comissão aguarda dados familiares para identificar vítimas femininas

A Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) aguarda a identificação de familiares de 24 perfis genéticos do sexo feminino. As amostras foram obtidas a partir de restos mortais exumados de uma vala comum no Cemitério da Mulemba (vulgo “14”), em Luanda.
O porta-voz da CIVICOP, Manuel Halaiwa, explicou que, até ao momento, nenhum perfil genético das vítimas do sexo feminino constantes da lista foi identificado. Segundo o responsável, entre as famílias que buscam por parentes desaparecidos, “nenhuma ofereceu material genético que permita esta confirmação”. Manuel Halaiwa afirmou que a baixa procura por mulheres desaparecidas nos acontecimentos do 27 de Maio de 1977 é a causa da não identificação das vítimas. O processo, segundo o porta-voz, depende estritamente de exames laboratoriais de criminalística para a comparação de DNA. O representante da CIVICOP explicou que as análises feitas nas ossadas recuperadas no Cemitério da Mulemba elevaram de 22 para 24 o número de perfis genéticos femininos disponíveis. “A ausência de familiares para a recolha de amostras biológicas continua a impedir a identificação dessas vítimas e a consequente entrega dos restos mortais às famílias”, reforçou. Halaiwa lembrou que a maioria das solicitações recebidas pela Comissão refere-se a homens, enquanto os casos de mulheres aguardam pela doação de material genético. “Temos recebido, maioritariamente, familiares à procura do pai, do avô, do tio ou do sobrinho. São poucas as pessoas que procuram pelas senhoras desaparecidas naquela época dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977”, afirmou. Diante desse cenário, o responsável apelou às famílias que perderam parentes do sexo feminino durante os conflitos políticos para que doem amostras biológicas. A iniciativa visa permitir a comparação de DNA com os perfis genéticos já obtidos a partir das ossadas. Lembrou que o trabalho de análise forense às ossadas exumadas do Cemitério da Mulemba elevou o número de perfis genéticos de 625 para mais de 800 indivíduos. Mulheres dadas como desaparecidas Para ajudar no processo de identificação, a Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) divulgou uma lista denominada “Levantamento Geral Provisório de Pessoal Feminino Vítimas dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977”. O porta-voz da CIVICOP, Manuel Halaiwa, informou que a lista é composta por 41 cidadãs dadas como desaparecidas na época nas províncias de Luanda, Moxico, Huambo, Namibe, Huíla e Benguela. Conheça os nomes constantes na lista Entre os nomes constantes do documento a que o Jornal de Angola teve acesso, destaque para Ana Maria da Silva Pinto, Anabela Vieira Dias da Silva Fernandes, Ana Adolfo, Deolinda Suzete Catarina Lourenço, Engrácia Mateus da Silva, Feliciana Kanongue Nema, Isabel Maria dos Santos Pontes, Isabel Correia Lisboa Santos e Isaura Mateus Sebastião. Consta, também, da lista Jesuíta Bastos Feijó, Josefa do Carmo Narciso da Paixão Franco, Júlia Utete, Maria Antónia Caetano de Sousa Paim, Maria da Conceição da Silva Marques Inglês, Maria do Rosário Trindade, Maria Manuela de Fontes Pereira, Maria Odete Peres Pinto, Maurícia Mungo, Mita Van-Dúnem, Rosalina dos Prazeres Martins Pombal, entre outras figuras. Segundo Manuel Halaiwa, a divulgação desta relação nominal visa despertar familiares a fornecerem material necessário para ajudar a Comissão a saber se estes nomes correspondem aos perfis genéticos das ossadas exumadas dos cemitérios do 14 ou não. O responsável explicou que existem indícios de que muitas vítimas, detidas noutras províncias, foram posteriormente transferidas para Luanda, onde terão sido executadas e sepultadas na vala comum do Cemitério da Mulemba. Por isso, o porta-voz apelou a todas as famílias que tenham perdido parentes durante os conflitos políticos, independentemente da província onde os factos tenham ocorrido, para procederem à doação de amostras biológicas.



