Como a CASA-CE sobreviverá nas próximas eleições?

Depois de ter conseguido apenas 47.446 votos nas eleições de 2022, e sem representação parlamentar, a CASA-CE corre riscos de extinção por desintegração. O líder fala da vontade de formar nova coligação.
Depois do seu afastamento do Parlamento angolano por não ter conseguido eleger nenhum deputado, aCASA-CE corre o risco de desaparecer. Quem o diz é o especialista em sistemas eleitorais Luís Gimbo, que justifica as suas afirmações com o facto de não haver, desde 2022, atividades ligadas à coligação fundada por Abel Chivukuvuku.
"Deve-se perguntar às lideranças dos partidos que compõem a coligação, acompanhar os seus Congressos, e saber se vão juntar um programa de governo ou vão continuar com a CASA-CE", diz.
Porém, Jimbo levanta outro ponto: "Mais importante é saber que uma coligação só pode existir por mais de um partido, se estiver nas circunstâncias em que mais nenhum partido apresenta vontade ou proposta para juntar-se na CASA-CE, levar os símbolos da CASA-CE, ela extingue-se de forma natural".
E o especialista acrescenta: "Se todos os partidos apresentarem candidaturas de forma individual, e me parece que é isso que vai acontecer, porque nestes últimos dois anos depois das eleições de 2022, não acompanhamos nenhuma ação política visível da CASA-CE, quer em alguém assumir a sua liderança ou até divulgar os seus símbolos, tudo indica que os partidos que ainda estão na CASA-CE vão preparar-se para concorrer individualmente e a CASA-CE será extinta''.
Continuidade da coligação?
Manuel Fernandes, ainda presidente da coligação, disse à DW que o congresso – que se realiza entre 23 e 25 de outubro - é que vai ditar a continuidade ou não da coligação.
‘'Nesta altura, a CASA-CE não existe como coligação eleitoral, mas sim como coligação de concertação, se tivesse grupo parlamentar para gerir aí sim, no entanto a participação nas próximas eleições vai depender daquilo que vai ser o ponto de vista do partido (PALMA NOVA-ANGOLA) na altura das eleições", esclarece o líder.
E Fernandes sublinha: "O que nos interessa neste momento é criarmos condições para o nosso fortalecimento, é preciso transformar o partido numa estrutura robusta que, se necessário, concorra sozinho, sem estar coligado a outros partidos, mas é o congresso que vai decidir a continuidade ou não da CASA-CE''.
De olho na FPU?
O presidente fala na formação de uma nova coligação, desde que garanta alternância política. Admite até, se for convidado, uma integração na Frente Patriótica Unida (FPU). "Desde já volto a reforçar que o nosso desejo é que desta vez não apenas ao nível da sigla CASA-CE, mas se tivéssemos capacidade de construir um novo instrumento político que possa congregar as forças políticas com responsabilidade de Estado e assunção de poder, estarmos juntos e poder ampliar esse instrumento para concretizar a mudança em 2027".
E Fernandes não esconde: "Eu faria de tudo para convencer os meus correligionários para termos que avançar para este desiderato, é disto que me estou a referir”.
Outro partido que compõe a CASA-CE é o Partido Pacífico Angolano, PPA. O seu presidente, Felé António, remete também as decisões finais para os congressos dos partidos, mas lembra que ‘'neste momento, o PPA está firme dentro da CASA-CE".
"O presidente não decide pelos outros partidos, são os congressos que vão decidir a continuidade ou não na coligação. Os que decidiram sair ainda não comunicaram de forma oficial, para sair da coligação tem que escrever e o presidente Alexandre ainda não escreveu à coligação'', finaliza.
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