Comunidades angolanas envolvidas nas comemorações dos 50 anos da independência do país

Luanda – As embaixadas de Angola na Polónia, Marrocos, Egipto, Emirados Árabes Unidos, África do Sul, República Democrática do Congo, ONU, Itália, Brasil, EUA, Ghana e Israel organizaram actividades políticas, e culturais junto das comunidades para assinalar os 50 anos da Independência Nacional, que se comemorou a 11 do corrente mês.
Na Polonia, o embaixador de Angola, Manuel Pedro Chaves, afirmou que o país percorreu um caminho difícil até alcançar a liberdade, destacando o papel da Polonia no apoio ao país em momentos decisivos.
Recordou o percurso histórico que conduziu a proclamação da Independência, das dificuldades vividas durante o conflito armado ao esforço contínuo do Executivo na consolidação da estabilidade política e económica.
A cerimónia reuniu representantes do Governo polaco, membros do corpo diplomático acreditado no país e a comunidade angolana residente, com realce para a presença da secretária de Estado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Henryka Mocicka Dendys, que destacou o carácter histórico da cooperação entre os dois países, tendo manifestado o interesse de ver o seu país cada vez mais envolvido em projectos de desenvolvimento em Angola.
Sublinhou igualmente a realização da Cimeira de Chefes de Governo da União Africana e da União Europeia, prevista para os dias 24 e 25 do corrente mês, em Luanda.
A parte cultural da cerimónia envolveu a cantora Carina Santos.
A embaixada de Angola em Marrocos, num acto realizado nas instalações da missão, em Rabat, o embaixador José Filipe depositou uma coroa de flores junto ao busto do Presidente Agostinho Neto, e, em declarações à margem da cerimónia, destacou a importância da data para a consolidação da soberania e da unidade do povo angolano e uma oportunidade para reafirmar o compromisso com o desenvolvimento e com os valores legados pelo Fundador da Nação.
As comemorações em Marrocos terminam, este sábado, com uma gala cultural, no Teatro Mohammed V, em Rabat, envolvendo a actuação do ballet tradicional Kilandukilu.
No Egipto, realizou-se uma feira gastronómica com participação de 19 países, que partilharam as suas iguarias e sabores típicos, animados com música e dança do grupo cultural Angola no Kafuxi.
Durante cerca de cinco horas de convívio, a comunidade angolana, residentes e convidados de várias nacionalidades desfrutaram de um ambiente festivo, onde a gastronomia e a cultura se entrelaçaram e promoveram o intercâmbio entre povos e tradições.
Na sua intervenção, o embaixador de Angola no Egipto, Maquento Sebastião Lopes, destacou a importância da diversidade cultural patente na feira, que considerou uma demonstração da amizade e respeito mútuo entre as nações participantes.
Num outro evento político-diplomático, Maquento Sebastião Lopes afirmou que Angola se mantém aberta ao investimento estrangeiro e dispõe de amplo espaço para iniciativas económicas capazes de impulsionar os projectos em curso.
Sublinhou que empresas e países têm oportunidades reais de investimento em Angola, em sectores como obras públicas, agricultura, exploração mineira, pescas e indústria, entre outros, tendo realçado a solidariedade internacional demonstrada ao longo de todas as fases cruciais do processo histórico de Angola.
recordou a solidariedade determinante, durante a luta de libertação nacional, evocando o apoio de países como Ghana, Guiné, Tanzânia, Argélia, Tunísia e Egipto.
Emirados Árabes Unidos
O embaixador de Angola nos Emirados Árabes Unidos, Júlio Maiato, ressaltou, em Abu Dhabi, as excelentes relações entre os dois países, tendo sublinhado a nova dimensão das relações com a visita de Estado a Angola do Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, Presidente dos EAU, em Agosto do corrente ano.
Recordou que a visita resultou em mais de 40 instrumentos de cooperação em áreas estratégicas, como energia, logística, agricultura, tecnologia, infra-estrutura e transporte.
Perante o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros para Assuntos de Desenvolvimento e Organizações Internacionais dos EAU, Sultan Mohammed Al Shamsi, o diplomata angolano reafirmou o posicionamento de Angola em se tornar uma Nação preparada para o futuro, assente na estabilidade política, reformas e com um clima de negócios cada vez mais favorável para acolher cooperação e investimento.
Na África do Sul, o embaixador João Baptista Quiosa enfatizou o papel do país na promoção da paz em África, particularmente na República Centro Africana e na região dos Grandes Lagos.
João Baptista Quiosa destacou o progresso e as conquistas do país, entre as quais citou a expansão das instituições de ensino superior de uma para 37 universidades, a existência de mais de 15 mil quilómetros de estradas e mudanças na energia renovável, com pelo menos 65 por cento de produção.
Reconheceu o forte relacionamento entre Angola e África do Sul, com intercâmbios educacionais e apoio mútuo em questões regionais e globais.
Por seu turno, o ministro sul-africano dos Desportos, Artes e Cultura, Gayton McKenzie, felicitou Angola e reafirmou o compromisso das autoridades do seu país em reforçar as relações fraternas e de irmandade, na busca partilhada pela paz, prosperidade e unidade do continente africano.
Destacou as relações fraternas entre a África do Sul e Angola reflectidas na Comissão Conjunta de Cooperação, assinada em 20 Novembro 2000, e elevada à Comissão Bilateral, em 2017, que continua a fornecer uma base sólida para a parceria.
O embaixador de Angola na República Democrática do Congo (RDC), Miguel da Costa, rendeu tributo, em Kinshasa, a todos aqueles que lutaram pela Independência do país, expressando reverência aos homens e mulheres que, com o seu sacrifício, permitiram tal feito.
Miguel da Costa sublinhou a importância de valorizar os progressos alcançados desde a independência e destacou a conquista da paz, estabilidade política e social, fortalecimento progressivo do Estado de direito e os avanços no desenvolvimento económico e social do país.
Destacou o papel histórico e a solidariedade do Congo no apoio à Independência de Angola e ao seu processo de paz, recordando que as escolas e universidades congolesas formaram gerações de líderes que conduziram Angola à independência.
Por seu lado, o representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, destacou, em Nova Iorque, o apoio prestado pela ONU durante os anos difíceis do conflito armado, tendo recordado as quatro missões de manutenção da paz da organização, autorizadas pelo Conselho de Segurança, entre 1989 e 2007, que desempenharam um papel crucial para que o país alcançasse a paz e a reconciliação nacional.
Francisco José da Cruz, que falava na reunião plenária da quarta Comissão da Assembleia Geral da ONU sobre a “Revisão abrangente de toda a questão das operações de manutenção da paz em todos os seus aspectos”, defendeu que as operações de manutenção da paz continuam a ser um instrumento fundamental para prevenção, gestão e resolução de conflitos.
Apelou ao multilateralismo como forma de alcançar consensos sobre a preservação da paz e da segurança internacionais, dotando as operações de manutenção da paz de mandatos, objectivos e estruturas de comando claros e definidos, bem como de recursos adequados com base numa avaliação realista da situação e de financiamento seguro para apoiar os esforços para alcançar a resolução pacífica dos conflitos.
A embaixadora de Angola na Itália, Josefa Sacko, realçou os avanços na reconstrução nacional, o empenho do Governo na diversificação económica e a aposta na agricultura familiar.
Referiu-se as reformas que facilitam o investimento estrangeiro, citando a isenção de vistos de turismo para cidadãos de 98 países, medida adoptada em 2023, como exemplo do novo ambiente de abertura.
Sublinhou que, desde o fim do conflito armado, em 2002, Angola tem assumido um papel central na estabilidade do continente africano, com especial atenção para a região dos Grandes Lagos.
Recordou que a Itália foi o primeiro país da Europa Ocidental a reconhecer oficialmente a independência de Angola, gesto que consolidou as bases de uma amizade duradoura, realçando que a cooperação bilateral entre Angola e Itália continua firme e produtiva, com destaque para o Corredor do Lobito, integrado no Plano Mattei para África e na iniciativa Global Gateway da União Europeia.
Durante a cerimónia, Josefa Sacko homenageou figuras italianas que apoiaram a causa angolana, como o estudante Piero Bruno, morto em 1975, durante uma manifestação em solidariedade com Angola, e os líderes Giovanni Leone e Aldo Moro, recentemente condecorados pelo Presidente João Lourenço.
O ministro plenipotenciário Cristiano Gallo, representante do governo italiano no evento, reconheceu os progressos de Angola, nos últimos anos, e reafirmou a vontade da Itália em continuar a fortalecer a cooperação bilateral.
O programa das comemorações incluiu a exibição de um documentário sobre os 50 anos da independência, uma exposição fotográfica, declamação de poesia, música ao vivo e apresentações de dança.
Por outro lado, o embaixador de Angola no Brasil, Manuel Eduardo Bravo, afirmou que o percurso de meio século de independência é uma narrativa de firme determinação em construir um futuro de prosperidade e dignidade para todos os angolanos.
Referiu que o Brasil ocupa um lugar especial na história de Angola, por ter sido o primeiro país a reconhecer oficialmente a independência nacional, gesto que reforçou os laços de irmandade que unem os dois povos.
Destacou as condecorações, pelo Presidente João Lourenço, do antigo Chefe de Estado brasileiro, Ernesto Geisel, e do diplomata Ovídio Melo, como sinal de gratidão e reconhecimento pela contribuição prestada ao alcance e consolidação da independência de Angola.
Por seu turno, o embaixador Clélio Crippa, secretário interino para África e Médio Oriente do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, afirmou que Angola é um país confiável e uma prioridade nas relações externas do seu país, aludindo ao crescimento contínuo e a diversificação das parcerias entre os dois Estados.
Em representação do Governo brasileiro, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, felicitou Angola pelo jubileu da independência e reafirmou a amizade histórica, bem como a sólida parceria estratégica que há décadas une os dois povos, em particular nas áreas da agricultura e desenvolvimento sustentável.
Já nos Estados Unidos da América (EUA), o embaixador Agostinho Van-Dúnem exprimiu, em Washington, o reconhecimento aos países e povos que acompanharam e apoiaram a luta de libertação nacional, recordando que África foi o primeiro espaço de solidariedade, tendo alguns países oferecido apoio político, militar e moral à causa da auto-determinação do povo angolano.
Agostinho Van-Dúnem evocou o contributo de altas entidades americanas, incluindo os presidentes George Bush e Bill Clinton, que desempenharam papéis importantes nos esforços diplomáticos que conduziram ao fim do conflito armado, abrindo caminho à paz e à estabilidade que Angola vive hoje.
Adiantou que o país está a reforçar o Estado de direito, a promover a transparência e a criar um ambiente favorável ao investimento e à inovação.
Durante o acto, foram entregues medalhas comemorativas dos 50 anos da Independência Nacional e diplomas de mérito a amigos de Angola, nomeadamente o Corporate Council on Africa (CCA), a família Tucker e a Associação Kudissanga, em reconhecimento pelo contributo prestado ao fortalecimento das relações entre Angola e os EUA.
A missão diplomática de Angola no Gana realizou um acto solene que reuniu distintas personalidades, incluindo membros do Governo ganês, representantes do corpo diplomático, membros da comunidade angolana residente, entre outras entidades, dirigida pelo encarregado de Negócios interino, King Jorge Tchimpuati, que destacou o significado histórico da data e o papel da diplomacia angolana na promoção da cooperação bilateral e da integração regional.
Foi reafirmado o compromisso de Angola com um futuro pautado pela diversificação económica, elevação da qualidade da educação e dos serviços de saúde, incentivo à inovação tecnológica e valorização do capital humano como pilares fundamentais do desenvolvimento sustentável.
Por seu turno, o embaixador de Angola em Israel, Nelson Manuel Cosme, afirmou que os 50 anos da Independência Nacional representam um marco decisivo da soberania e da identidade angolana.
Salientou o papel fundamental da paz e da unidade no desenvolvimento do país, sublinhando o contributo da diáspora na projecção da imagem de Angola no exterior e no reforço das relações bilaterais com o Estado de Israel.
As jornadas comemorativas em Israel incluíram uma exposição fotográfica “50 Anos, 50 Imagens”, uma caminhada “50 Anos, 50 Passos” e uma roda de capoeira Angola, envolvendo o grupo Capoeira Angola/Israel.


