Conflito na CASA-CE volta ao debate com acusações entre Lindo Bernardo Tito e William Tonet

As divergências que marcaram os últimos anos da CASA-CE voltaram ao espaço público, desta vez através de uma troca de acusações entre o jurista Lindo Bernardo Tito e o jornalista William Tonet, dois antigos membros influentes da coligação então liderada por Abel Chivukuvuku.
Em declarações prestadas separadamente à Rádio Correio da Kianda e ao programa “Ponto e Vírgula”, os dois protagonistas apresentaram versões contraditórias sobre episódios ligados à gestão interna, ao financiamento da organização e às disputas por cargos de direção durante o período em que integraram a plataforma política.
Lindo Bernardo Tito, actualmente assistente do líder do PRA-JA Servir Angola, atribuiu o início do conflito à alegada intenção de William Tonet assumir a pasta da Comunicação da CASA-CE, após o seu regresso de uma missão político-diplomática na Alemanha. Segundo o político, a sua ligação à génese da coligação e o conhecimento acumulado sobre o projecto político inviabilizavam qualquer substituição.
O jurista aproveitou ainda para questionar o desempenho político de Tonet durante as eleições gerais de 2012, quando este foi cabeça de lista da CASA-CE em Luanda, sustentando que não conseguiu eleger deputados na capital do país.
Outro ponto de discórdia está relacionado com o financiamento da sede da CASA-CE na Maianga. Lindo Bernardo Tito rejeitou as alegações de que William Tonet tenha sido um dos principais financiadores da coligação, defendendo que a organização assumiu os encargos da reabilitação do imóvel e procedeu ao pagamento regular das rendas.
Em resposta, William Tonet refutou todas as acusações e acusou o antigo correligionário de distorcer os factos. O jornalista sustenta que participou financeiramente no funcionamento da CASA-CE, incluindo o apoio à sede da coligação, campanhas eleitorais e outras actividades políticas.
Segundo Tonet, existia um acordo assinado por Abel Chivukuvuku para a utilização do imóvel que serviu de sede da organização, prevendo uma repartição dos custos que, alegadamente, não foi cumprida. O director do Folha 8 afirmou ainda ter contribuído para despesas eleitorais em Luanda e Benguela, bem como para missões internacionais da coligação.
A troca de acusações estendeu-se também à gestão financeira da CASA-CE e à origem dos recursos utilizados em algumas actividades políticas da organização, com ambas as partes a desafiarem-se mutuamente a apresentar provas que sustentem as respectivas versões.
As declarações reacendem antigos debates sobre o funcionamento interno da CASA-CE, uma força política que marcou a oposição angolana durante vários anos, mas que também enfrentou sucessivas crises internas e divergências entre os seus dirigentes.
Embora a coligação já não tenha o peso político de outros tempos, as revelações e acusações entre antigos membros mostram que algumas das disputas que marcaram a sua trajectória continuam por esclarecer e ainda alimentam controvérsia no espaço político nacional.


