Crise na pecuária: Falta de cevada e ração cara provocam morte de centenas de animais

A escassez de ração animal está a provocar uma vaga de mortalidade em várias explorações pecuárias. Os criadores de gado apontam o dedo à indústria cervejeira, acusando-a de privilegiar a exportação de cevada em detrimento do abastecimento do mercado nacional, onde o cereal é fundamental para a produção de alimento para aves e suínos. Um criador chegou a perder, recentemente, 300 galinhas por falta de ração.
Durante o debate no programa "Angola em Directo" da RNA, o criador de animais Agostinho Paulo lamentou o facto de ter perdido, na semana passada, cerca de 300 galinhas por falta de alimentação. Agostinho Paulo lembrou que, no passado, tinha como suporte a cevada, porque o preço da ração era muito caro, em vez disso, misturava a cevada com a ração para facilitar a alimentação das aves. O criador manifestou tristeza pelo facto de, "de um tempo a esta parte, a cevada ter desaparecido". Já o presidente da Cooperativa dos Criadores de Gado, Paulo Flora, referiu que por se aproximar o período de frio os criadores de gado em Benguela enfrentam o desafio de encontrar pasto para alimentar os animais, embora garanta ter água suficiente retida em algumas ‘chipacas’ no tempo chuvoso. “Por consequência das alterações climáticas, nós continuamos com a dificuldade de água abundante, na extensão do território onde temos a actividade pecuária”, lamenta. O técnico dos serviços veterinários José Sucumula sublinhou que o maior desafio do seu sector é o controlo de doenças e a saúde pública veterinária, por isso aconselha os criadores de modos a cumprir com os requisitos mínimos a fim de terem algum rendimento. Para se prevenir das pragas animal, José Sucumula garante que após um mês de vacinação, a província de Benguela conta com 900 mil cabeças vacinadas, numa campanha que visa vacinar mais de 1,7 milhões.



