Defendido o protagonismo das mulheres nos processos de resolução de conflitos

Representantes de organizações internacionais, instituições religiosas, sociedade civil e especialistas em mediação defenderam, ontem, em Luanda, a criação de mecanismos que garantam uma presença mais efectiva das mulheres nos espaços de decisão, considerando que a paz duradoura e inclusiva depende do contributo feminino em todas as fases dos processos de resolução de conflitos.
Esta posição foi defendida durante o debate sobre a necessidade de reforçar a participação das mulheres nos processos de paz, negociação e tomada de decisões. O tema dominou a Sessão Temática 3 da III Cimeira da Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC), realizada sob o lema “Mulheres na Linha da Frente da Paz: Fortalecer as Abordagens Inclusivas ao Diálogo”. A secretária-geral da Sociedade Bíblica em Angola, Beatriz Hupa, afirmou que a inclusão feminina nos órgãos de decisão — desde os processos de reconciliação nacional até às mesas de negociações de paz — precisa de deixar de ser encarada como uma mera excepção e passar a ser tratada como uma necessidade estratégica. Durante a sua intervenção, a responsável reconheceu os avanços alcançados por Angola na promoção da igualdade de género. No entanto, alertou que ainda persistem barreiras institucionais e culturais estruturais que limitam o acesso efectivo das mulheres aos espaços de poder real. Para mitigar e ultrapassar essas assimetrias, Beatriz Hupa propôs a implementação de metas claras e vinculativas de participação feminina nas instituições, assim como investimento contínuo na formação de mulheres em matérias de alta diplomacia, mediação, negociação de acordos e resolução de conflitos complexos.



