Deputado Olívio Kilumbo critica OGE 2026 e acusa Governo de “cinco décadas de desgovernação”

Luanda – O deputado da UNITA Olívio Kilumbo proferiu esta segunda-feira, no plenário da Assembleia Nacional, uma extensa declaração política em que acusa o Executivo de João Lourenço e o MPLA de conduzirem Angola a uma “crise multidimensional sem precedentes”, marcada por colapso económico, deterioração social e falta de transparência.
Falando durante o debate sobre o Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026, Kilumbo afirmou que o documento “arrisca ser mais um exercício de ficção”, acusando o Governo de apresentar previsões macroeconómicas “vazias, irrealistas e descoladas da realidade”. Para o deputado, as receitas continuam “superestimadas”, a despesa pública é “opaca”, e sectores essenciais como saúde e educação permanecem “abandonados”.
O parlamentar sublinhou que o OGE falha por não ser precedido de “um debate nacional alargado” e por seguir um modelo de elaboração “top-down”, que exclui sociedade civil e especialistas.
50 anos de independência “transformados em fracasso governativo”
Kilumbo evocou os 50 anos de independência nacional, saudando Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi como “pais e heróis da liberdade”, mas acusando o regime de ter conduzido o país a uma situação de desigualdade extrema.
Segundo disse, Angola tornou-se “um Estado falhado bem-sucedido”, onde a riqueza nacional foi “concentrada por uma oligarquia voraz”, enquanto a população vive “na pobreza extrema, sem serviços públicos dignos”.
Enumerou indicadores que descreveu como “alarmantes”: • mais de 17 milhões de pobres, • 13 milhões de angolanos com fome, • 11 milhões de desempregados, • e 4 milhões de crianças fora do sistema de ensino.
“PEST”: o balanço dos oito anos de João Lourenço
Kilumbo classificou a governação de João Lourenço como um período de “PEST – Caos Político, Económico, Social e Tecnológico”.
Entre as críticas apontadas, referiu: • “crise da democracia” e “justiça seletiva”, • forte desvalorização do kwanza, • colapso dos serviços públicos, • atraso tecnológico e internet de baixa qualidade.
Também voltou a criticar o combate à corrupção, qualificando-o como “farsa” e “caça às bruxas”, sem impacto estrutural sobre o sistema.
Gastos polémicos e falta de transparência
O deputado questionou ainda a gestão financeira do Estado, mencionando o recente jogo entre Angola e Argentina como exemplo de “inversão de prioridades”, afirmando que o Governo terá gasto “no mínimo, 40 milhões de dólares” no evento.
“Cada golo da Argentina custou 20 milhões”, ironizou, classificando a despesa como “quase-fiscal” e fora do OGE.
Kilumbo denunciou ainda a ausência de dados claros sobre população, mortalidade, educação e dívida pública, dizendo que o país é governado por “sombras e silêncios”.
Apelos à mudança e defesa das autarquias
O parlamentar reiterou a defesa da criação de autarquias locais como solução urgente para o desenvolvimento real, acusando o Governo de adiar há décadas a descentralização prevista nos Acordos de Alvor.
Kilumbo defendeu o fim do “partido-Estado” e apelou a uma “alternância democrática verdadeira”, apresentando a UNITA/FPU como alternativa credível, com o seu programa “Merecemos uma Nova Angola” e o modelo de governação “Governo Inclusivo e Participativo”.
Na parte final da intervenção, o deputado afirmou que “o povo angolano não é pobre — foi empobrecido”, denunciando um ecossistema de corrupção que “emburrece e marginaliza” o cidadão comum, enquanto uma elite “vive numa realidade paralela”.
“Chegou a hora de dizer BASTA: basta à má gestão, basta à opacidade, basta ao partido-Estado”, declarou, apelando a que os angolanos “de Cabinda ao Cunene” se unam em torno de um novo projecto de Estado.
Encerrando o discurso, Kilumbo concluiu: “O tempo da mudança chegou. E essa mudança está nas mãos dos angolanos. Que Deus abençoe Angola.”


