O embaixador de Angola nos Estados Unidos da América, Agostinho de Carvalho dos Santos Van-Dúnem, defende o envolvimento dos angolanos residentes naquele país no desenvolvimento de Angola, através da valorização das suas competências profissionais, da experiência adquirida no exterior e da identificação de oportunidades de contribuição para o país.
Em entrevista exclusiva à Rádio Correio da Kianda, durante uma visita à comunidade angolana em Boston, o diplomata explicou que a estratégia passa por trabalhar com as associações comunitárias para identificar cidadãos que possam colocar os seus conhecimentos e capacidades ao serviço do desenvolvimento nacional.
“A nossa intenção é, para além do serviço consular que temos que prestar à nossa comunidade, trabalhar com as associações comunitárias para identificar exactamente angolanos que queiram e podem ser também úteis ao desenvolvimento”, afirmou.
Agostinho Van-Dúnem considera necessário criar condições para que os cidadãos residentes no estrangeiro possam participar de forma mais activa no progresso de Angola, aproveitando a experiência profissional e os conhecimentos adquiridos nos países de acolhimento.
“Temos que pensar numa perspectiva de começar a criar condições para que os angolanos que estão na diáspora, em particular aqui nos Estados Unidos, possam também contribuir para o nosso desenvolvimento”, sublinhou.
O embaixador revelou que a Embaixada está a recolher experiências de outros países, com destaque para Cabo Verde, com o objectivo de preparar propostas e iniciativas a apresentar às autoridades angolanas, visando reforçar a participação da diáspora no desenvolvimento do país.
“A ideia é que, de facto, aqui na América nós possamos descobrir os talentos que temos e motivá-los”, explicou.
Conselho das Comunidades pretende aproximar Embaixada dos angolanos
No quadro desta estratégia, Agostinho Van-Dúnem destacou o Conselho das Comunidades, criado pela Embaixada em 2023, como um mecanismo de diálogo com os líderes comunitários e de identificação das necessidades, actividades e potencialidades dos angolanos residentes nos Estados Unidos.
Segundo o diplomata, o órgão permite à Embaixada conhecer melhor a realidade das comunidades angolanas, perceber em que áreas os cidadãos estão inseridos e identificar formas de mobilizar as suas capacidades para iniciativas de interesse nacional.
A intenção, explicou, é reforçar a ligação entre a representação diplomática e os cidadãos, criando condições para que a participação da diáspora não se limite à procura de serviços consulares, mas inclua também o contributo para o desenvolvimento económico e social de Angola.
Embaixada promove estágios para jovens angolanos
Outra iniciativa destacada pelo embaixador é o programa de estágios promovido pela Embaixada, com periodicidade semestral, destinado a jovens angolanos que estejam a concluir o ensino superior e residam nos Estados Unidos.
Van-Dúnem explicou que os programas procuram proporcionar aos jovens uma primeira experiência profissional, contribuindo para melhorar as suas condições de inserção no mercado de trabalho.
“Estes programas têm a finalidade sobretudo de dar também alguma experiência de trabalho a jovens que estão a terminar o ensino superior”, afirmou.
O diplomata acrescentou que a Embaixada também procura incentivar os angolanos residentes nos Estados Unidos a candidatarem-se a oportunidades profissionais em organizações internacionais, ampliando as possibilidades de participação em instituições e espaços de cooperação internacional.
Serviços consulares aproximam Embaixada da comunidade
As declarações foram feitas durante uma missão consular itinerante em Boston, iniciativa que, segundo Agostinho Van-Dúnem, visa facilitar o acesso dos cidadãos angolanos a documentos e actos administrativos, tendo em conta as dificuldades de deslocação até às estruturas consulares.
De acordo com o embaixador, cerca de 250 pessoas foram atendidas durante o fim-de-semana, para tratar de passaportes, bilhetes de identidade, procurações, registos de nascimento, transcrições de casamento e outros actos notariais.
O diplomata reconheceu que a adesão ultrapassou as expectativas da equipa, que prolongou o atendimento até à meia-noite para responder à procura.
Van-Dúnem anunciou ainda a realização de uma missão consular em Washington, no dia 1 de Novembro, e outra no estado do Maine, nos dias 7 e 8 de Novembro, onde a previsão é atender entre 200 e 300 cidadãos.
Para o embaixador, a assistência consular e a valorização das competências dos angolanos no estrangeiro são dimensões complementares do trabalho da Embaixada, que pretende reforçar a proximidade com as comunidades e criar oportunidades para que os seus conhecimentos e experiências possam contribuir para o desenvolvimento de Angola.




