A criação de um centro pan-africano de Inteligência Artificial (IA) e vigilância marítima, bem como o fortalecimento do Centro Nacional de Coordenação e Vigilância Marítima com IA, foram, ontem, em Luanda, recomendados pelo embaixador de Angola na Etiópia e representante permanente junto da União Africana (UA), Miguel Bembe.
As recomendações foram apresentadas durante o 5.º Curso de Segurança Marítima no Âmbito da Arquitectura da Segurança do Mar em Angola, que reuniu efectivos dos órgãos de defesa e segurança, instituições afectas ao sector e quadros civis interessados.
Na qualidade de prelector, o diplomata comentou que as propostas constituem uma aposta na vanguarda tecnológica da protecção das águas nacionais e regionais.
Ao apontar os principais desafios, Miguel Bembe destacou a necessidade de garantir interoperabilidade activa e alerta precoce com integração de dados em tempo real e uso de Inteligência Artificial para antecipar riscos como pirataria, ciberataques, narcotráfico e imigração ilegal.
Outro ponto, segundo o embaixador, está relacionado com a sustentabilidade logística e o combate a ameaças híbridas, com defesa de financiamento estável para manutenção e modernização de meios, de modo a reduzir a dependência de dotações financeiras flutuantes e assegurar presença tecnológica no mar.
A cadeia de custódia e a resiliência social também foram dos desafios apresentados por Miguel Bembe, tendo defendido que a eficácia do Estado passa também pela inclusão económica das populações costeiras.
Em termos prospectivos, o embaixador apresentou como vectores de acção a harmonização da governação jurídica, com revisão do ordenamento marítimo nacional, auditorias interinstitucionais obrigatórias e reforço dos mecanismos regionais africanos de paz e segurança.
Defendeu, igualmente, o financiamento autónomo, com a proposta de emissão de “obrigações azuis” e a criação de um consórcio envolvendo o Ministério das Finanças, o Banco Nacional de Angola e parceiros privados para sustentar a modernização da Marinha de Guerra Angolana e de outras instituições.




