O especialista em relações internacionais Miguel Ajú destacou, quinta-feira, em Luanda, a necessidade de Angola diversificar as parcerias internacionais como forma de reduzir dependências excessivas na preservação da autonomia estratégica.
Miguel Ajú fez as declarações numa Palestra de Alto Nível subordinada ao tema “A geopolítica do Corno de África e as suas implicações para Angola”, e considerou que a política externa angolana deve ser orientada, sobretudo, pelos interesses nacionais e não pela necessidade de alinhamento permanente com um determinado bloco internacional.
Para o académico, Angola deve manter uma postura estratégica capaz de estabelecer relações com diferentes actores internacionais, aproveitando as oportunidades de cooperação existentes, sem comprometer a sua capacidade de tomar decisões de acordo com as prioridades nacionais.
“O objectivo não deve ser simplesmente escolher lados, deve ser preservar a autonomia estratégica, diversificar parcerias e maximizar as opções de decisão nacional”, afirmou.
O especialista considerou que o actual cenário internacional, caracterizado por profundas transformações na distribuição do poder, exige dos Estados uma maior capacidade de adaptação e de leitura estratégica dos acontecimentos.
Neste contexto, Miguel Ajú destacou o reforço dos BRICS e o crescimento das relações entre os países do Sul Global como factores que podem criar novas oportunidades para os Estados africanos.
Para o especialista em Relações Internacionais, as novas possibilidades devem, contudo, ser aproveitadas de forma sensata e estratégica, evitando que a aproximação a novos parceiros se transforme numa nova forma de dependência.
“A neutralidade pode ser uma escolha. A neutralidade sem estratégia pode transformar-se numa vulnerabilidade”, alertou.




