Luanda - O especialista em Relações Internacionais Osvaldo Mboco enalteceu, este sábado, em Luanda, a projecção de Angola a nível internacional, fruto da sua actuação proactiva na promoção da paz e na defesa do multilateralismo.
Luanda - O especialista em Relações Internacionais Osvaldo Mboco enalteceu, este sábado, em Luanda, a projecção de Angola a nível internacional, fruto da sua actuação proactiva na promoção da paz e na defesa do multilateralismo.
Em entrevista à ANGOP, a propósito da 81.ª Assembleia-Geral da ONU, o académico referiu que Angola é um país pacifista, com uma política muito envolta na diplomacia de paz e da resolução dos conflitos por via pacífica, acção que a consolida como um actor incontornável no sistema global.
“Basta nós olharmos que Angola é um país de matriz pacifista, que procura promover, mediar e trazer a paz e defende o respeito pela Carta das Nações Unidas”, salientou.
O académico defendeu reformas na arquitectura institucional da ONU, sobretudo no Conselho de Segurança, por considerar que a sua estrutura já não corresponde às dinâmicas dos conflitos do século XXI.
“Há fundamentos sólidos para considerar que a arquitectura da ONU precisa de ser reformada. O veto continua a ser o problema central, porque só cinco países têm este direito, uma decisão que fragiliza e estratifica os estados. É necessário fazer uma adequação que dê à África e aos vários continentes uma participação activa”, advogou.
De acordo com o académico, Angola defende a reforma do Conselho de Segurança com fundamento na declaração de Sirte, adoptada a 5 de Julho de 2005 na Líbia, durante a 5.ª Sessão Ordinária da Assembleia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA).
O documento reafirmou formalmente a posição do continente sobre a reestruturação global da ONU, focando fortemente a democratização do Conselho de Segurança.
A declaração ratificou o Consenso de Ezulwini, estabelecido em Março de 2005, na Etiópia, exigindo a reparação da exclusão histórica de África através de dois assentos permanentes, com direito a veto, cinco assentos não permanentes, o fortalecimento da Assembleia- Geral, entre outras.
Durante a entrevista, cuja íntegra será publicada brevemente, Osvaldo Mboco afirmou que o mundo atravessa um período de incerteza e o poder das Nações Unidas é posto em causa, por não conseguir mitigar os vários conflitos que se registam a nível global.
“É importante sublinhar que nesta sessão a Assembleia-Geral terá de lidar com os grandes conflitos que continuam a testar os seus limites ao nível da ordem internacional e aqui temos vários, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e o conflito Israel-Palestina”, asseverou.
Em debate, conforme o analista político, deverão estar também, entre outros, temas relacionados com a intervenção americana no Irão, o extremismo religioso no continente africano e as missões de operações de paz das Nações Unidas.
A 81.ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas inicia-se terça-feira, em Nova Iorque (EUA), sob o lema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação”.
A decorrer até 28 de Setembro, esta sessão marca o fim do mandato de António Guterres como secretário-geral da ONU. MCN




