A reconciliação nacional e a reparação das memórias das vítimas dos conflitos políticos, bem como o processo de perdão, verdade e dignificação das famílias afectadas foram, ontem, em Luanda, os principais assuntos reflectidos por membros da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), representantes das igrejas e da sociedade civil.
A abordagem esteve no centro de uma conferência promovida pela Oficina do Conhecimento, num painel moderado pelo jornalista Amílcar Xavier. O membro da CIVICOP, Luís Jimbo, destacou que o pedido de desculpas do Estado angolano, na pessoa do Presidente da República, João Lourenço, representou um conforto e um reconhecimento oficial perante as famílias. Jimbo sublinhou que, no âmbito do programa de homenagem, as famílias estão a realizar enterros condignos e a receber certificados de óbito, o que garante a preservação da memória dos entes queridos, além da colocação de campas definitivas valorizadas, cumprindo um ritual africano, fundamental para a estabilidade espiritual e dignidade das famílias.
O secretário-geral do Conselho das Igrejas Cristãs em Angola (CICA), Vladimir Agostinho, recordou que a igreja acompanhou o período conturbado pós-independência, incluindo os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 e a Guerra Civil até à conquista da paz em 2002.
O reverendo defendeu que, à semelhança da África do Sul com a Comissão de Verdade e Reconciliação, Angola, através do lema "Abraçar e Perdoar", da CIVICOP, tem testemunhado a exumação de ossadas que permite às famílias enterrar com dignidade os seus parentes, apelando a que estejam atentas às listas publicadas.
Segundo o presidente da Fundação 27 de Maio, Silva Mateus, para as famílias, a construção do Memorial em homenagem às vítimas dos conflitos políticos vai representar simbolicamente o encerramento de um ciclo de luto. O secretário-geral da da CEAST, padre Celestino Epalanga, destacou o papel da Igreja Católica na escuta e acompanhamento de familiares que, procuram fazer o luto e curar as feridas através da Eucaristia.




