O jurista Joaquim Jaime considera que o antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, tinha perdido o controlo da situação nacional, num contexto em que Angola precisava de criar uma classe empresarial forte para reduzir a dependência da economia em relação ao capital estrangeiro.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, o jurista recordou que a decisão de promover o empresariado nacional foi assumida no congresso do MPLA de 1998, num período em que se definia o modelo económico que o país pretendia seguir.
Segundo Joaquim Jaime, a estratégia assentava numa economia de mercado, com a presença do Estado em determinados sectores e o exercício da função reguladora, procurando garantir maior participação de empresários angolanos na economia.
O jurista sublinhou, entretanto, que a conquista da paz constituía o primeiro passo para concretizar esse projecto, tendo em conta os desafios que o país enfrentava para criar condições favoráveis à transformação económica.
Por sua vez, o economista Eduardo Colo considera que a formação da classe empresarial angolana ficou marcada pela falta de mentalidade, disciplina e preparação ideológica, factores que, na sua perspectiva, contribuíram para práticas de enriquecimento sem transparência quanto à origem dos recursos financeiros.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, Eduardo Colo defendeu que o enriquecimento de alguns cidadãos deve ser analisado à luz das condições em que foram criadas oportunidades de negócio no país, sobretudo numa fase em que o Estado procurava estimular o surgimento de empresários nacionais.
O economista chamou ainda a atenção para a existência de ciclos viciosos que, segundo afirmou, se prolongaram ao longo do tempo e favoreceram situações em que determinados agentes económicos não conseguiam demonstrar a proveniência dos seus recursos financeiros, apontando os paraísos fiscais como um dos aspectos a considerar nesta análise.




