O Executivo transformou o combate aos efeitos da seca numa verdadeira agenda nacional de desenvolvimento sustentável, dignidade humana e justiça social, afirmou, sábado, em Caundo, município do Cuvelai, o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges.
O governante falava durante a inauguração das barragens do Ndue e do Calucuve, infra-estruturas que apontou como uma clara demonstração da visão estratégica e da determinação política do Executivo para mitigar os efeitos da seca severa que afecta as populações do Cunene e da região Sul do país.
João Baptista Borges afirmou que a entrada em funcionamento das duas infra-estruturas abre uma nova etapa na história da província, depois de décadas marcadas pela insegurança hídrica, perda de gado, limitações à produção agrícola e vulnerabilidade social. “Decidimos transformar o sofrimento em oportunidade, a escassez em produtividade e a vulnerabilidade em resiliência”, afirmou.
O ministro recordou que, em 2019, foi lançado o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), considerado um dos principais programas estruturantes de segurança hídrica, desenvolvimento territorial e inclusão social.
Entre os resultados alcançados destacou o Canal do Cafu, com 165 quilómetros de extensão, inaugurado em Abril de 2022 pelo Presidente da República. A infra-estrutura, disse, tornou-se numa referência de transformação económica e social.
Segundo João Baptista Borges, onde antes predominavam os efeitos da seca existem, agora, campos agrícolas produtivos, maior actividade pecuária, crescimento do comércio e novas oportunidades económicas.
A produção agrícola em maior escala, acrescentou o ministro, tem contribuído directamente para o reforço da segurança alimentar, para a redução dos preços dos produtos no mercado interno e para o abastecimento de várias regiões, incluindo mercados da vizinha Namíbia. “O mais importante é que as populações passaram a viver com maior estabilidade, esperança e confiança”, sublinhou.
As barragens do Ndue e do Calucuve têm uma capacidade combinada de 311 milhões de metros cúbicos de água. O sistema integra, ainda, 37 reservatórios, com capacidade superior a dois milhões de metros cúbicos, construídos ao longo de 186 quilómetros de canais.
Sobre este particular, João Baptista Borges afirmou: “Estamos perante investimentos que vão garantir água para as populações, fortalecer a actividade agro-pecuária, expandir a agricultura irrigada, dinamizar a economia local, estimular o investimento privado e criar novas oportunidades para milhares de jovens”, afirmou.
Para o ministro, as duas barragens não representam apenas obras de engenharia, mas também instrumentos de promoção da coesão social, desenvolvimento humano e combate à pobreza.
Hita Hita em construção
O ministro anunciou que está em curso a construção da Barragem do Cova do Leão (Hita Hita), no município da Cahama, na margem direita do rio Cunene. Paralelamente, avançam as obras dos sistemas de abastecimento de água da Cahama, Otchinjau e Oncôcua, cujas conclusões estão previstas para o início do próximo ano.
“Queremos que a água seja um factor de desenvolvimento sustentável, mas também transformar os recursos hídricos em motores do crescimento económico, de geração de riqueza e de criação de oportunidades para a juventude”, assegurou. João Baptista Borges apelou à preservação das barragens, que considerou património colectivo da Nação e instrumentos para garantir prosperidade e bem-estar às actuais e futuras gerações.
Barragem do Ndue vai beneficiar 55 mil pessoas
A Barragem do Ndue prevê beneficiar cerca de 55 mil pessoas, permitir a irrigação de aproximadamente 9.200 hectares de terras agrícolas e gerar mais de 700 empregos.
Construída sobre o rio Caundo, 89 quilómetros a sudeste de Mukolongondjo, sede do município do Cuvelai, a infra-estrutura tem 32,8 metros de altura e 1.500 metros de comprimento.
A barragem possui capacidade para armazenar cerca de 170 milhões de metros cúbicos de água, abrangendo uma área inundada de aproximadamente 2.000 hectares. O empreendimento dispõe, ainda, de um parque fotovoltaico de 52 kW. O sistema integra 15 chimpacas distribuídas ao longo de um canal adutor com 75 quilómetros de extensão. A linha estende-se até à localidade de Embudo, no município do Cuanhama, e tem como objectivo reforçar a disponibilidade de água para o abastecimento das comunidades e o suporte à actividade pecuária.
A infra-estrutura deverá contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar, o desenvolvimento da agro-pecuária e a expansão da produção comercial.




