Festas caras em Cabinda: Preços sobem em flecha

Cabinda enfrenta preços recorde na cesta básica devido a custos elevados de transporte e falta de infraestruturas. Produtos essenciais tornam-se um "luxo", enquanto governo e empresários procuram soluções urgentes.
A distância geográfica e a falta de um porto de águas profundas com capacidade para receber navios de grande porte tornam Cabinda dependente dos portos de Luanda e Pointe-Noire para importação de mercadorias. Esta limitação aumenta os custos e dificulta o abastecimento.
Farinha de trigo, açúcar, ovos, manteiga, fermento, leite, feijão, farinha de milho e carnes, bem como produtos importados como vinhos e espumantes, registam aumentos significativos nesta quadra festiva. Para muitas famílias, celebrar o Natal tornou-se um "verdadeiro luxo".
Para a população, a situação é desesperante. Há famílias que gastam quase 200 mil kwanzas (cerca de 186 euros) apenas para garantir a cesta básica. Muitos consideram inadmissível que, após 50 anos de independência, os preços continuem a subir sem soluções concretas.
"Nos 50 anos da independência ainda lutamos com os preços da cesta básica. Isto assim é governo? O que se assiste é aberrante e desprezível", disse à DW um residentes em Cabinda.
Entraves burocráticos e falta de soluções
A inflação em Cabinda é descrita como "muito alta", e há quem critique o facto de produtos nacionais custarem tanto quanto os importados da Ásia ou da Europa.
Manuel da Rocha, empresário local, critica a inflação na província angolana. "É inaceitável que o produto nacional tenha preço igual ao importado da Ásia ou Europa."
Economistas ouvidos pela DW afirmam que o Regime Aduaneiro Especial aprovado para Cabinda não facilita as importações, impedindo processos aduaneiros e a entrada de receitas fiscais. Os agentes económicos não conseguem concluir processos aduaneiros, o que trava o abastecimento e impede a arrecadação fiscal.
O empresário Abias, da Angoalissar, explica que "buscar um contentor, por exemplo, custa mais de 3 milhões de kwanzas", o equivalente a 2.790 euros.
Governo reconhece dificuldades
A secretária provincial do Comércio, Odeth da Cruz, admite que os custos elevados de transporte, seja por via terrestre através da República Democrática do Congo (RDC) ou por via marítima, criam entraves aos empresários.
O académico Domingos João Marques diz que a culpa é do Executivo liderado por João Lourenço: "É preciso que o Estado intervenha para combater esta tendência. Hoje pratica-se um preço e amanhã outro."
O Presidente angolano afirmou que a redução dos preços depende do aumento da produção e da oferta, e não de decretos. O tema foi debatido numa reunião entre o governo local e empresários, convocada pelo Secretário para os Assuntos Económicos, Milton Reis, que admitiu a preocupação.
"Cabinda é atualmente a província com o nível de preços mais alto, quase o dobro do que se verifica em Luanda", referiu.
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