FNLA: Militantes acusam liderança de falta de transparência

Um grupo de militantes da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), liderado por Ngola Kabangu, acusa direção do partido de violações sistemáticas dos estatutos e de não prestar contas. Porta-voz rejeita críticas.
Depois das crises da disputa da liderança, durante muitos anos, a Frente Nacional de Libertação Nacional (FNLA) enfrenta uma nova contestação.
Um grupo de militantes coordenados pelo nacionalista Ngola Kabangu, antigo presidente de uma das alas do partido, acusa a atual direção de Nimi a Simbi de agir contra os estatutos e de não prestar contas ao comité central do partido.
Mas a atuação dos militantes que se opõem à direção do partido tem sido interpretada como uma afronta à atual liderança.
Geovety de Sousa, um dos militantes que integra o grupo, nega as acusações. "É uma prisão política interna que se tem feito no sentido de se forçar o presidente do partido a marcar o órgão que é o comité central", diz.
Para o politólogo Agostinho Sicato, as crises que a FNLA atravessa decorrem, também, da falta de uma transição geracional ao nível da liderança. "A geração da independência já não serve e há necessidade da nova geral assumir a liderança da FNLA", afirma.
Direção nega cisão interna
Em declarações à DW, Maria Bulenvo, porta-voz do partido, nega haver cisão interna, mas admite a existência de vozes discordantes, fruto da falta de informação correta sobre a vida interna da FNLA.
"Os posicionamentos não significam rotura e muito menos duas alas. Não existem duas alas. Só temos alguns que reivindicam ou fazem valer um direito, mas isso não é problema", diz.
Esta semana, o presidente da FNLA marcou a próxima reunião do comité central do partido para 13 e 14 do mês em curso.
O politólogo Agostinho Sicato alerta para necessidade de o partido ultrapassar as divergências políticas internas sob pena de somar mais desaire político nas eleições gerais de 2027 em Angola.
"A FNLA precisa se organizar com maior urgência sob pena de ser extinto nas próximas eleições, se continuar com essas querelas pessoais", conclui.
Debate DW: O que os jovens políticos esperam de Angola?
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