O secretário provincial da FNLA no Bengo, Júnior Maravilha de Matos, defende o diálogo entre as diferentes sensibilidades do partido como caminho para ultrapassar as divergências internas e evitar o agravamento da crise que afecta a formação política.
A posição foi manifestada durante a Assembleia Provincial Electiva da FNLA no Bengo, realizada no âmbito da preparação do VI Congresso Ordinário, num momento em que o partido continua dividido quanto à condução do processo congressual. A estrutura provincial elegeu 26 delegados para o conclave.
Júnior Maravilha de Matos mostra-se contrário à realização de processos paralelos e apela ao presidente da FNLA, Nimi-a-Simbi, para convocar os militantes desavindos e promover um entendimento interno.
Segundo o dirigente, a existência de duas comissões preparatórias para o congresso constitui um dos principais sinais da crise que atravessa o partido.
“O partido vive actualmente uma crise interna, com a existência de duas comissões preparatórias, uma da direcção do partido e outra dos membros do Comité Central. Por isso, pedimos ao irmão presidente Nimi-a-Simbi que convoque os militantes desavindos, para encontrarmos a união e reconciliação interna.”
O apelo surge numa altura em que diferentes sectores da FNLA disputam a condução do processo de preparação do VI Congresso Ordinário. Uma comissão está ligada à direcção de Nimi-a-Simbi, enquanto outra foi constituída por membros do Comité Central.
A crise interna já chegou ao Tribunal Constitucional, que, através do Acórdão n.º 1134/2026, apreciou um conflito relacionado com a convocação e realização do congresso e determinou que o processo fosse conduzido em conformidade com os estatutos do partido e a legislação aplicável.
Mais recentemente, a direcção de Nimi-a-Simbi remarcou o VI Congresso para 25, 26 e 27 de Novembro, depois de inicialmente estar previsto para Setembro. A alteração foi justificada pela direcção com dificuldades financeiras, mas continua a ser contestada internamente.
Para Júnior Maravilha de Matos, a prioridade deve ser a recuperação da unidade interna, através do diálogo entre os militantes e dirigentes envolvidos na disputa.
O responsável alerta ainda para os riscos políticos de uma crise prolongada, numa altura em que a FNLA se prepara para um novo ciclo político e eleitoral.
A preocupação com a unidade do partido ocorre num contexto em que a FNLA procura concluir o processo de preparação do congresso, enquanto persistem divergências sobre a legitimidade das estruturas responsáveis pela organização do conclave.




