O porta-voz da cimeira de líderes da União Africana (UA) afirmou, esta Quarta-feira, que o fraco financiamento continua a ser o grande desafio da organização, com os Estados-membros a mostrarem alguma resistência no cumprimento do compromisso assumido.
Este facto foi abordado esta Quarta-feira pelo embaixador de Angola na Etiópia, Miguel Bembe, quando falava em conferência de imprensa, na qualidade de porta-voz da XXI Conferência Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da UA, que decorrerá em Luanda entre 29 e 30 deste mês.
Miguel Bembe referiu que "o grande desafio neste tipo de organizações é a resistência que existe muitas vezes a nível dos Estados-membros em termos de financiamento, em termos de cedências (...) e de alguns poderes de soberania".
O diplomata frisou que a UA é ainda puramente política, mas tende a avançar progressivamente para outros patamares, por exemplo, no quadro da integração económica e do reforço das competências dos órgãos que compõem a organização.
Segundo Miguel Bembe, foram já dados passos pelos chefes de Estado e de Governo da UA, que estipularam uma percentagem de 0,2 por cento das exportações para serem depositadas na organização, sobretudo no Fundo de Paz da UA.
Presentemente, cerca de 17 da UA já implementaram essa decisão, realçou Miguel Bembe, salientando que Angola está a trabalhar para também dar este passo.
"Muito provavelmente durante esta cimeira ou a própria comissão poderá fazer um apelo aos Estados-membros para cumprirem a decisão que eles próprios tomaram e adoptaram relativamente a esta matéria", sublinhou.
A fonte destacou que, presentemente, o Fundo de Paz da União Africana (AUPF) tem cerca de 400 milhões de dólares já acumulados, contudo, "este saldo não representa muita coisa em matéria de paz e segurança".
"Porque para mobilizar tropas e manter homens no terreno, em termos de logística, entre outros elementos, 400 milhões de dólares não representa praticamente nada, se formos comparar este montante com o número de conflitos que temos no continente africano", referiu.
Hoje, prosseguiu Miguel Bembe, as cinco regiões africanas — austral, ocidental, central, norte e oriental, "estão sob fogo, sobretudo o terrorismo transnacional, as questões de mudanças inconstitucionais".
Dos 55 Estados-membros da UA, seis estão sob sanções, devido a mudanças inconstitucionais, segundo os dados avançados pelo diplomata angolano.
Outro dos desafios para a organização é exigir que países suspensos por violação das normas da UA continuem a pagar as suas contribuições, acrescentou Miguel Bembe.
"Por isso a reforma da UA destas estruturas é fundamental, por isso Angola considerou essencial, urgente, reunir os chefes de Estado para poder arrumar a casa", frisou.
A XXI Conferência Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da UA sobre o reforço dos Mecanismos de Prevenção e Resolução de Conflitos em África, visa passar "de uma postura reactiva para uma estratégia proactiva, estrutural de prevenção de crises no continente", indicou Miguel Bembe.




