A proposta da UNITA, apresentada por Adalberto Costa Júnior, para a criação do Fundo Soberano Jovem dividiu opiniões num debate promovido pelo Movimento Social para a Mudança (MSM), na sexta-feira, 23 de Outubro, na Casa da Juventude, em Viana.
Os participantes reconheceram a importância de financiar oportunidades para a juventude, sobretudo nas áreas do emprego, formação e empreendedorismo, mas levantaram dúvidas sobre a origem dos recursos, a gestão, a fiscalização e a sustentabilidade financeira do fundo.
O debate abordou ainda o risco de instrumentalização política da iniciativa, tendo em conta as eleições previstas para 2027. Alguns intervenientes defenderam a análise do conteúdo da proposta, enquanto outros consideraram necessário esclarecer as condições da sua execução.
O encontro reuniu representantes de organizações juvenis, partidos políticos, movimentos cívicos e sociedade civil, incluindo estruturas ligadas à UNITA, FNLA e outras formações políticas, além de organizações como MUDEI, BASTA, MEA e Mudar Viana. O MSM apelou ao diálogo e à discussão de ideias, evitando confrontos pessoais.
A representante da Juventude Unida Revolucionária (JURA), Domingas Samoua, defendeu que a proposta pretende criar oportunidades para os jovens e considerou importante permitir contribuições de diferentes sectores da sociedade.
Paulino Chitumba, activista e fundador da Associação Mudar Viana, afirmou que a iniciativa deve ser avaliada pelo seu conteúdo, independentemente da organização política que a apresenta, defendendo regras claras e uma gestão inclusiva.
Por sua vez, Jaime MC, ligado ao movimento cívico MUDEI, destacou a necessidade de promover o emprego e a inclusão económica, enquanto outros participantes defenderam o reforço da formação profissional, da educação financeira e das oportunidades de estágio.
O líder do Movimento Nacional dos Taxistas de Angola BASTA, Rafael Inácio, manifestou apoio à iniciativa, afirmando que os taxistas e a sociedade civil devem contribuir para a discussão de estratégias destinadas a empoderar a juventude, independentemente da origem partidária da proposta.
O responsável defendeu que os interesses nacionais devem prevalecer sobre as diferenças políticas e criticou a falta de medidas que, na sua perspectiva, respondam às necessidades dos jovens, apontando como exemplo a ausência de um passe social para estudantes.
Em sentido crítico, a representante do Partido Liberal, Grande Mayala, questionou os critérios de escolha dos gestores, os montantes a disponibilizar e os mecanismos de fiscalização. Levantou igualmente dúvidas sobre a origem dos recursos e a sustentabilidade financeira do fundo.
Carlos Kassoma, representante da juventude da FNLA, defendeu a avaliação dos programas públicos anteriores e a apresentação de esclarecimentos sobre a viabilidade da proposta, de modo a evitar a repetição de dificuldades registadas noutras iniciativas.
O representante do Renova Angola, Moisés Tchivala, considerou que o acesso aos benefícios não deve depender da filiação partidária ou de relações políticas, defendendo que os apoios financeiros sejam acompanhados por formação e educação financeira.
Adriano Lucamba, primeiro secretário nacional da JPDP-ANA, referiu o programa BOE, que, segundo a sua intervenção, teria contado com uma dotação de 21 mil milhões de kwanzas em 2012. O participante defendeu que os resultados de programas anteriores devem ser avaliados antes da criação de novos mecanismos de apoio.
Financiamento e eleições de 2027
Durante o debate, foram igualmente levantadas questões sobre a faixa etária dos beneficiários, o apoio a jovens em situação de vulnerabilidade e as dificuldades enfrentadas por estudantes universitários que não conseguem concluir a formação por falta de oportunidades de estágio.
Alguns participantes defenderam que a gestão do fundo deve estar sujeita a regras públicas, auditorias e fiscalização independente. Outros sugeriram encontros com economistas e juristas para aprofundar a análise da viabilidade financeira e do enquadramento legal da iniciativa.
A proximidade das eleições gerais de 2027 também suscitou divergências. Enquanto alguns intervenientes alertaram para o risco de utilização eleitoral da proposta, outros defenderam que as iniciativas partidárias devem ser avaliadas pela sua capacidade de responder aos problemas da sociedade.
No encerramento, o MSM apelou à continuidade do diálogo e à participação da juventude na discussão das políticas públicas.
Apesar das posições divergentes, os participantes destacaram a necessidade de ampliar as oportunidades económicas para os jovens angolanos. Permanecem, contudo, questões sobre a origem dos recursos, os critérios de selecção dos beneficiários, a independência da gestão e os mecanismos de prestação de contas.




