O Executivo pretende reforçar a construção de estradas terraplanadas, com recurso a técnicas de estabilização dos solos, como forma de melhorar o acesso às zonas de produção agrícola, mineira e turística, anunciou, quarta-feira, em Luanda, o ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto dos Santos.
Ao intervir na 23.ª edição do CaféCIPRA, com o tema “A construção de estradas como alavanca à produção nacional”, o ministro explicou que o objectivo “não é apenas proceder à terraplanagem, mas construir vias terraplanadas com maior durabilidade e capacidade de resposta às necessidades das populações.
Segundo Carlos Alberto dos Santos, as estradas de terra constituem uma solução mais rápida e menos onerosa ao permitir melhorar o escoamento da produção para os centros de consumo e facilitar o acesso a sectores como a Agricultura, Turismo, Saúde e Mineração.
“A aposta em estradas terraplanadas é uma solução mais rápida, barata e que ajuda a escoar a produção dos centros de produção para os de consumo”, disse o ministro, anunciando que o Executivo quer apostar neste tipo de estradas.
Durante diálogo aberto com jornalistas e membros da sociedade civil, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, o responsável pelo sector das Obras Públicas destacou a importância do processo de estabilização do solo para melhorar a resistência, durabilidade e a capacidade de suporte de carga do terreno natural.
Neste contexto, fez saber que o pelouro por si dirigido está a trabalhar com empresas que desenvolvem projectos desta natureza, com vista a garantir maior qualidade das vias que estão a ser construídas no país.
Os produtos usados para o efeito, explicou, não apresentam a mesma eficácia em todas as regiões, uma vez que reagem de forma diferente às características dos solos. Por essa razão, o Executivo pretende realizar troços experimentais para determinar a adequação de cada solução às diferentes zonas do país.
Neste âmbito, apelou às empresas do sector para apresentarem as fichas técnicas dos respectivos produtos, de modo a serem realizados testes que permitam identificar as soluções adequadas a cada região.
Estradas devem servir para a produção
O ministro Carlos Alberto, que dividiu o painel com os colegas dos Transportes, Ricardo D’Abreu, Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, bem como da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, considerou que a construção de estradas deve estar articulada com as potencialidades económicas de cada região.
“Não se faz estrada por fazer. A estrada tem que servir a alguma coisa”, afirmou, explicando que a definição das prioridades deve considerar a existência de produção agrícola, actividade mineira, projectos turísticos e outras iniciativas capazes de gerar desenvolvimento.
Neste sentido, enfatizou a necessidade de maior articulação entre os sectores produtivos e os responsáveis pelas infra-estruturas, incluindo estradas, caminhos-de-ferro, energia e água, para que os investimentos públicos contribuam, efectivamente, para o crescimento da economia.
Balanças para proteger as estradas
O ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação reiterou, por outro lado, a instalação de balanças em pontos estratégicos da rede nacional de estradas, com o objectivo de controlar o excesso de carga dos veículos pesados e prolongar a vida útil das vias.
Na Estrada Nacional 230, estão previstas balanças na região de Maria Teresa e à entrada de Saurimo, tendo em conta o intenso movimento rodoviário e a circulação de veículos pesados.
Já na Estrada Nacional 100, na zona depois da Barra do Cuanza, em Luanda, disse, estão a ser realizados os últimos testes para a entrada em funcionamento de uma balança de pesagem para veículos, estando prevista outra na ligação entre o Cuanza-Sul e Benguela.
O ministro explicou que a instalação destes equipamentos deverá passar a integrar os novos contratos de intervenção na rede nacional de estradas, sobretudo nos pontos considerados críticos.




